Anorexia na família: Como reconhecer e tratar quem se ama

Observe o seguinte caso:

“Joana pregou na porta da geladeira uma folha de papel com recomendações e uma dieta que sua mãe, Ieda, não percebeu devido à vida acelerada que passou a levar. Ieda viuvou há seis meses e foi compelida a voltar ao mercado de trabalho. Sem um homem para prover os meios da casa e uma pensão de baixo valor, a mãe com apenas uma filha, desdobra-se para pagar as contas da casa e dívidas contraídas. Ela passa a maior parte do dia trabalhando e somente vê a filha à noite, quando a vê em vista que muitas vezes chega tardiamente e já encontra Joana dormindo em seu quarto. A jovem de dezoito anos de idade quando volta da escola se tranca no quarto e fica por minutos, em trajes íntimos, a se olhar no espelho. “Droga! Eu não estou emagrecendo! ”, disse Joana aborrecida. Em seguida, ela inicia a sua sessão de “torturas” passando a fazer exercícios físicos sobre o tapete. Depois de muito se exercitar, exausta, ela cai sobre o aveludado tapete. Um sorriso amarelado estampa seu rosto abatido e ela se levanta e vai para frente do espelho. “Não!! Eu não emagreci nada! ”. Ieda, por almoçar no trabalho, prepara à noite o almoço do dia seguinte para a filha. No momento do almoço Joana vai até a geladeira e antes de abri-la consulta a folha de recomendações e a dieta. Esquenta a refeição no micro-ondas e senta-se à mesa. Em jejum por toda a manhã, ela fica olhando para o prato demoradamente. Realiza algumas grafadas e fica revirando a comida. Levanta-se da mesa e joga praticamente tudo na lixeirinha da pia da cozinha. No quarto, passa a fita métrica em torno do abdômen, das coxas e do busto. Deita-se na cama e fica entristecida. Uma lágrima solitária escorre pelo rosto ressequido. Uma dor inexplicável corre de seu coração para a mente. “Não consigo emagrecer… e as meninas da escola dizem que estou magra demais… mentira!… elas são umas mentirosas, pensam que na minha casa não tem espelho… eu sei que estou gorda!… só estou engordando, engordando, engordando… ah, gorda só emagrece matando… matando… matando… morrer…” Ela adormeceu em seguida.

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Joana é um ser humano que sofre e muito na solidão de seu quarto. Ela é mais uma das vítimas da mídia desvirtuosa e do segmento da moda que difunde a ideia de que um corpo magro, muito magro será objeto de desejo e valorização por familiares, amigos e desconhecidos. Seu sofrimento é tão grande que ela passa a pensar que só a morte pode resolver seu problema de emagrecer.

Estes dois elementos tem exercido uma pressão constante e vigorosa sobre toda a sociedade contemporânea, conseguindo êxito particularmente nos indivíduos adolescentes, sendo rara a existência de casos em pessoas a partir dos 40 anos de idade.

Joana sofre de anorexia e, como a bulimia, quando se tem um membro de uma família com esta grave doença moderna, infelizmente toda a família está doente, partindo-se da premissa que a família é um todo e cada membro é parte desse todo. Se ele está doente, todo o conjunto está inegavelmente comprometido.

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Anorexia: Sua natureza

Segundo estudos realizados podemos afirmar que a anorexia tem um viés de natureza alimentar e outro de natureza psicológica.

Como transtorno alimentar, ela é caraterizada pelo medo intenso de engordar e a preocupação excessiva com o peso. A pessoa passa a realizar jejuns prolongados e repetidos, adota dietas inadequadas, ingere laxantes e diuréticos, pratica exercícios físicos intensamente e ainda procura métodos que lhe possibilitem emagrecer ainda mais.

Como transtorno psicológico, a pessoa não reconhece a sua imagem real, enxerga-se sempre acima do peso (gorda) e deseja sempre continuar a emagrecer, por mais que isso não corresponda à realidade, que é se apresentar extremamente magra.

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Bulimia: Causas, sintomas e efeitos danosos

As causas da anorexia ainda não são plenamente conhecidas, contudo os cientistas já conseguiram relacionar alguns fatores que podem ser considerados. São eles:

  • Pré-disposição genética, se existem familiares que apresentam preocupação com o corpo e tiveram experiências com dietas rigorosas e fitness é comum pelo médico do paciente anoréxico encontrar sintomas de anorexia nestes parentes;
  • Alterações nas concentrações dos hormônios serotonina (um dos principais neurotransmissores do humor) e noradrenalina (outro neurotransmissor que atua sobre o humor, ansiedade, sono e alimentação);
  • Associação a quadros depressivos e transtorno obsessivo compulsivo (TOC);
  • Situações estressantes como falecimento em família, divórcio, mudança de escola ou de cidade, etc.

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Joana possivelmente desenvolveu a anorexia devido à morte do pai e por uma consequente depressão surgida por causa da grave perda ocorrida.

Podemos considerar a anorexia como um pedido “mudo” de socorro, de ajuda que merece e deve ter toda a atenção dos familiares e amigos. É um pedido que, muitas vezes, é feito de maneira inconsciente e manifestado pelo desejo exagerado de emagrecer, e dessa maneira chamar a atenção do mundo ao redor de seu pedido de socorro. A pessoa objetiva emagrecer fazendo dietas constantes e excedendo-se nos exercícios físicos.

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A anorexia apresenta os seguintes sintomas:

– Perda exagerada e rápida de peso sem causas justificáveis;

– Preocupação extrema com o valor das calorias dos alimentos;

– Medo excessivo de engordar;

– Perda de cabelos;

– Olhos fundos;

– Comportamento depressivo;

– Recusa em participar de refeições familiares;

– Intolerância ao frio;

– Não menstruar por três ou mais ciclos;

– Ter uma visão de sua imagem corporal muito distorcida, sendo muito focada no peso ou na forma corporal;

– Recusa em admitir a gravidade da perda de peso;

– Pele seca, manchada ou amarelada coberta por pelos finos;

– Depressão;

– Boca seca;

– Desgaste dos músculos e perda de gordura corporal;

– Pensamento confuso ou lento, junto com memória ou julgamento deficientes.

É importante que a família observe o comportamento dos filhos que, em último grau, pode ser um aviso de alerta. Veja alguns:

  • Comem devagar, espalhando os alimentos no prato, para dar a impressão que come muito;
  • Quanto menos comem, mais se satisfazem em ver os outros comer;
  • Apresentam preocupação exagerada com dietas e as calorias dos alimentos;
  • Evitam participar de refeições familiares ou de reuniões sociais que envolvam alimentação;
  • Vão ao banheiro imediatamente após as refeições;
  • Recusam comer perto de outras pessoas;
  • Realizam exercícios físicos mesmo quando o clima está desfavorável, com machucado impeditivo ou ocupado com outras tarefas;
  • Manifestam imagem distorcida de si mesmos e insistem em se achar muito acima do peso (gordos);
  • Ingerem comprimidos para urinar (diuréticos), evacuar (enemas e laxantes) e para reduzir o apetite (para perda de peso).

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A pessoa anoréxica pode apresentar os seguintes problemas que comprometem sua qualidade de vida e saúde: descompasso cardíaco, anemia, desidratação, perda de massa óssea, atrofia muscular, insuficiência renal, hipoglicemia e suscetibilidade maior a infecções.

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Anorexia: Tratamento

Embora a anorexia acometa principalmente mulheres (cerca de 0,5 a 1,0% delas) vem crescendo o índice de homens com este distúrbio.

O tratamento da anorexia é complexo, multidisciplinar e não há garantia de cura. Pelo fato do tratamento ser multidisciplinar envolve psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas.

O primeiro passo no tratamento é tratar as complicações decorrentes do baixo peso como a anemia, visando à recuperação gradativa do peso. Em seguida, deve-se iniciar a terapia para se redefinir e restabelecer a autoestima e as relações interpessoais de forma a deixar a pessoa menos preocupada com sua forma corporal e com seu peso, em síntese, obter seu equilíbrio emocional.

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Devido ao viés de natureza psicológica verificou-se que entre os transtornos psiquiátricos a anorexia apresenta uma taxa de mortalidade maior, que varia de 5% a 18%. O anoréxico por vezes acredita que sua vida não tem valor nem para ele e nem para sua família e amigos e decide pelo suicídio.

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Mesmo depois de restabelecido o peso corporal e o conceito de autoestima e os parâmetros alimentares, pode ocorrer uma recaída. Esse fato gira em torno de 60% dos pacientes anoréxicos. A relação complicada com a comida pode permanecer por meses ou até anos.

É considerado padrão, sem o comprometimento da saúde, que pacientes anoréxicos por mais de três anos apresentem algum sintoma de comportamento anoréxico.

Cabe ainda salientar o fato deste transtorno alimentar se desenvolver posteriormente para um quadro de bulimia, que é um transtorno alimentar mais grave por suas características e efeitos danosos.

Considerando todos os problemas causados pela anorexia e por seu tratamento se proceder de maneira lenta, a prevenção é o melhor de todos os remédios. Deve-se estimular a criança a se alimentar de forma saudável, praticar exercícios físicos adequados e, sobretudo, dar-lhe atenção, amor e carinho, afastando-a do caminho da ansiedade e da depressão. Somente assim este ser humano terá saúde e uma boa qualidade de vida.

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ROBERT THOMAZ

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

2 Comentários

  1. Esta vez te has superado, sin dudarlo excelente texto!!!
    Saludos

  2. Agradezco su comentario elogioso. Muchas gracias por visitar mi blog. Vuelve siempre y me alegro de que el post te haya ayudado.

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