Bulimia na família: Como reconhecer e tratar essa doença

Observe o seguinte caso:

“Mariana acabou de completar vinte anos de idade. Ela é bonita, está na medida certa do peso e tem uma aparência saudável. Frequenta a academia de musculação à tarde, todos os dias, quando retorna da faculdade fazendo uma longa sessão de exercícios físicos. Por vezes seu olhar de desprezo recai sobre jovens, como ela, que estão na academia para se livrar do peso extra que adquiriram em churrascos, generosos sanduíches ou no consumo de supérfluos alimentares quando em momentos de lazer ou descanso. Ao chegar a casa, após o banho Mariana sempre se tranca no quarto e fica diante do espelho, nua, verificando o corpo. ‘Ah, não! Eu continuo a engordar!’, pensa a bela jovem exasperada. No fim de semana, a familiares vieram almoçar em sua casa e se reuniram em torno da churrasqueira. A atitude de Mariana chamou a atenção das primas e da tia, pela voracidade com que comia todos os alimentos do abundante almoço. Súbito, ela levantou-se da mesa e saiu às pressas do ambiente. D. Carolina, mãe de Mariana, seguiu-a. A jovem não teve tempo de trancar-se no banheiro permitindo que a mãe presenciasse a cena de vê-la ajoelhada diante do vaso sanitário vomitando todo o montante de alimentos que havia ingerido. D. Carolina socorreu a filha que logo desmaiou em seus braços. Momentos depois, no quarto da jovem, a mãe encontrou várias cartelas de laxantes na gaveta do criado mudo.”

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Temos aqui mais um quadro típico de bulimia. Quando se tem um membro de uma família com esta grave doença moderna, infelizmente toda a família está doente, partindo-se da premissa que a família é um todo e cada membro é parte desse todo. Se ele está doente, todo o conjunto está comprometido.

A bulimia é uma doença cuja causa é um tanto diversificada. Acredita-se muito que sua razão de ocorrer seja a intensiva propaganda relativa ao padrão de beleza das pessoas. A mídia em conluio com a indústria da moda e dos cosméticos age de maneira clara e subliminar promovendo um padrão de beleza que influencia o comportamento de várias pessoas, criando-lhes uma ideia errônea de aparência viçosa e bela, que em realidade não é nada saudável e que apresenta profunda morbidez.

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Bulimia: conhecendo a natureza da doença

A palavra bulimia deriva do termo grego “bous”, que significa boi, e “limos”, que significa fome, ou seja, o termo nos referencia a ideia de comer em demasia, em abundância. E é justamente essa ideia sobre a doença que foca sua natureza. Ela também pode ser chamada de bulimia nervosa.

Bulimia é um transtorno alimentar que se caracteriza pela grande ingestão de alimentos num curto espaço de tempo, para em seguida o portador da doença sentir um forte e profundo sentimento de culpa, o qual o compele a realizar ações compensatórias como induzir o vômito, fazer uso de laxantes e/ou diuréticos, praticar jejuns prolongados e realizar a prática extenuante de exercícios físicos visando não ocorrer o ganho de peso.

Esse seria, digamos o viés físico do transtorno, mas existe também o segmento psíquico no qual a pessoa tem sua consciência atormentada pelo medo exacerbado de engordar. A bulimia difere da anorexia no sentido que o portador da morbidez não apresenta a magreza exagerada do anoréxico, mas é uma pessoa constantemente preocupada com a aparência, com o controle do peso.

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A bulimia afeta muito mais mulheres do que homens. Sua incidência é maior em mulheres mais jovens, mas podendo ser verificada também em homens e mulheres com mais idade. No caso particular das mulheres, ela atinge aquelas que estão dentro do peso, contudo acreditam que não estão com o corpo ideal e buscam amparo em dietas muito rigorosas.

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Bulimia: conhecendo as causas e efeitos danosos

A bulimia é um transtorno alimentar e de caráter psicológico. Em função dessa premissa, ela apresenta o seguinte quadro de desenvolvimento:

– O portador apresenta obsessão pela forma física perfeita e por dieta, mas também, paradoxalmente, ingere uma quantidade exagerada de alimentos;

– Em seguida, ele é dominado por um profundo sentimento de culpa por ter exagerado na ingestão demasiada de calorias e provoca de alguma maneira a purgação dos alimentos ingeridos (através do vômito induzido, laxantes, etc).

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A ação opressora e discriminatória desenvolvida pela mídia, a indústria da moda e de cosméticos desenvolveu um irreal culto ao corpo magro e um consequente desprezo ao indivíduo acima do peso. Essa ação desumana parece despertar em milhões de pessoas de todo o mundo um quadro de bulimia. As causas da bulimia podem ser várias sendo destacadas as seguintes:

  • Baixa autoestima (insatisfação com o próprio corpo);
  • Predisposição genética (um parente com a doença pode predispor o desenvolvimento da doença);
  • Distúrbio ou distorção da imagem (o indivíduo acredita que está acima do peso em níveis acima da realidade ou não aceita o corpo como ele é);
  • Preocupação excessiva com a forma física (realiza jejuns prolongados, pratica de forma extenuada exercícios físicos, faz uso de laxantes e diuréticos);
  • Pressões familiares e sociais que provocam um quadro de ansiedade no qual o portador da doença busca maneiras exageradas de perder peso rapidamente e ao mesmo tempo encontra conforto na comida.

A bulimia é uma doença grave que pode apresentar sérias complicações com o passar do tempo. Os efeitos danosos da bulimia são:

– Desnutrição;

– Inflamação na garganta;

– Face inchada e dolorida devido a inflamação nas glândulas salivares;

– Desidratação;

– Cáries e lesão sobre o esmalte dentário;

– Constipação;

– Vômitos com sangue;

– Desmaios;

– Arritmia cardíaca;

– Problemas gastrintestinais que podem levar à morte.

Bulimia: sintomas e tratamento

Quando um membro de uma família é portador de bulimia a estrutura de toda a família está comprometida, como nos contextos de outras doenças que abalam e desestruturam a harmonia, constituição e felicidade do núcleo familiar. A bulimia é uma doença que tem cura, mas ela exige um tratamento longo e uma dedicação prolongada e paciente da família em relação ao doente.

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Acredita-se que a bulimia esteja profundamente relacionada à deficiência de um hormônio neurotransmissor relacionado à sensação de prazer chamado de serotonina. Como em tese o indivíduo apresenta esta deficiência, seu prazer com o corpo, com a valorização de sua autoestima tende a declinar, a cair a níveis muito mais baixos. Como ele não recebe a devida atenção, carinho e compreensão da família em relação a sua importância pessoal e no contexto familiar, surge o desamparo emocional, levando-o a “mergulhar” numa depressão.

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Simultaneamente a este estado, de baixa autoestima, de desemparo emocional, o indivíduo passa a manifestar os sintomas da bulimia. Mas normalmente a família não percebe os sintomas porque como o doente já se encontra em estado mórbido, de desamparo emocional, ele sente medo e vergonha de manifestar e assumir sua doença perante os demais membros da família com receio de suas reações. Em função disso, alguns dos sintomas do bulímico são máscaras de sua realidade física e emocional.

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Veja os sintomas da bulimia:

  • Esconder a comida reservada para episódios de voracidade, de ingestão compulsiva;

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  • Mentir sobre o que comeu;
  • Comer compulsivamente em segredo;

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  • Vomitar em segredo;

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  • Esconder medicamentos como laxantes e/ou diuréticos;

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  • Deixar a torneira da pia do banheiro ou a ducha abertas para ocultar os episódios de purgação;
  • Demonstrar uma preocupação extremada em relação ao peso, forma do corpo e aspecto em geral;

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  • Queixas frequentes em relação a dores de garganta, que decorrem dos repetidos vômitos;
  • Queixas frequentes em relação a problemas dentários, que também decorrem dos repetidos vômitos;

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  • Esconder-se atrás de roupas largas e soltas;
  • Demonstrar pouco ou nenhum impulso sexual.

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Por ser uma doença com várias causas e um viés emocional poderoso, o tratamento mais adequado é o multidisciplinar em que aborda psicoterapia individual ou de grupo, farmacoterapia e abordagem nutricional em nível ambulatorial.

Como a depressão é um contexto relevante na morbidez, medicações antidepressivas tem se mostrado eficazes no controle de episódios bulímicos.

Como a alimentação é um efeito muito importante, uma abordagem nutricional é adotada visando estabelecer um hábito saudável, eliminando o ciclo compulsão alimentar/purgação/jejum.

E a fundamental a orientação e terapia da família em vista que sua participação e ações são fundamentais para a recuperação do portador de bulimia.

ROBERT THOMAZ

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Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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