Chorar é fraqueza ou oportunidade de se tornar forte?

chorar

Is crying weakness or opportunity to become strong?

Chorar. Choramos tanto na vida, tanto mulheres como homens, porém você nunca se perguntou por que chora? Porque derrama lágrimas e sente uma dor interna inusitada, estranha dentro de si, em seu coração quando está triste ou melancólico? Sim, essa reação de nosso corpo, de chorar, é mais uma qualidade inata que o Criador nos concedeu dentre tantas, e que pouco sabemos a respeito, mas que em si envolve um conhecimento interessante.

Possuímos uma glândula lacrimal que produz gotinhas, mais conhecidas como lágrimas. A lágrima é composta por três camadas: a mais externa é uma película de gordura, que envolve um “recheio” de água, que se sobrepõe a um filete de muco. Existem dois tipos de lágrimas em finalidade que são constituídas por esse mesmo composto lacrimal, que são as lágrimas lubrificantes ou basais, e as lágrimas emocionais.

As lágrimas lubrificantes ou basais servem para umedecer, nutrir e limpar a córnea, e são fabricadas numa média de 01 ou 02 microlitros por minuto (1 microlitro equivale a 1 litro dividido por um milhão). As lágrimas emocionais são aquelas que produzimos quando choramos para expressar algum sentimento. Ao contrário das basais, que têm um propósito bem definido, as lágrimas emocionais não trazem nenhum benefício especial para a córnea ou para a superfície ocular.

Então, se as lágrimas emocionais não trazem nenhum benefício específico ao organismo porque ele as produz? O que nos faz chorar?

Nossas emoções são reações psicológicas, produzidas no interior de nossa mente, mas também tem seu lado fisiológico. O olho humano quando motivado por uma emoção, que pode ser de alegria ou tristeza, produz a secreção que conhecemos por lágrima, que caracteriza o choro, o chorar.

Segundo estudos da Universidade de Alcalá, em Madri, Espanha, o choro possivelmente surgiu na natureza humana anteriormente a linguagem falada, como uma forma de expressão, uma expressão mímica para comunicar inicialmente a dor, o sofrimento, a tristeza. Isso ocorreu pelo fato do homem, em sua evolução, ter esgotado todos os seus recursos faciais, como os movimentos musculares de levantar as sobrancelhas ou morder os lábios, para expressar estados emocionais anímicos de curiosidade, medo ou surpresa. Segundo os pesquisadores, o homem necessitava de uma nova e original expressão para revelar ao outro sua sensação de dor, sofrimento, tristeza. A evolução fez surgirem as lágrimas, o conhecido chorar.

 

 

 

 

 

 

 

Os estados emocionais que desencadeiam o pranto têm como causa: estados emocionais motivados pelo declínio da autoestima, da autoconfiança e do autodomínio do indivíduo. As manifestações de cada episódio como olhos úmidos, soluços, nó na garganta, lágrimas copiosas e outros, têm como causa conflitos, brigas, divergências ideológicas, etc.

Surpreendentemente, tanto mulheres como homens choram. Estes choram preferencialmente às escondidas. Os homens, especialmente em países de cultura latina como o Brasil, são educados a desde cedo não chorar em público, somente em ocasiões especiais como na morte, velório e similares. Os pais costumam dizer aos filhos (homens) que “homem não chora” e induzem-los a acreditar que “chorar é sinônimo de fraqueza”. Na Grécia antiga, era permitido chorar – mas, entre as mulheres, tal gesto não era bem-visto, sendo a manifestação bem vista entre os homens. Paradoxal não? Mas é que a manifestação do pranto, das emoções, está intimamente relacionada a um contexto cultural, segundo o antropólogo Guillermo Ruben, da Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo.

Outro dado interessante levantado pelos estudos da Universidade de Alcalá, em Madri, é que mulheres e homens choram mais às sextas-feiras e aos sábados devido ao fato de serem os dias em que as relações interpessoais se intensificam. O prantear ocorre mais à noite, após a saída do trabalho, quando voltam a sua atenção à sua vida pessoal. No retornar ao lar se deparam com casais de namorados vivenciando momentos felizes e estão sozinhos, porque terminaram uma relação amorosa ou matrimônio e a solidão os envolve, enchendo-os de amargura, tristeza e dor.

As lágrimas emocionais segundo a pesquisa são, em linhas gerais, como pedidos de ajuda, de socorro, ou de oferecimento de ajuda, auxílio. Como dor física, humilhação, medo, tristeza, solidão, raiva, ou ódio são identificadas como pedido de ajuda. Como solidariedade, amor passional, amor humanitário ou ao próximo, lembranças sentimentais, entrega religiosa ou alegria, são identificadas como oferecimento de ajuda.

Estima-se que o choro de pedido de ajuda tenha surgido entre os seres humanos há uns 50 000 anos, simultaneamente ao aparecimento da linguagem falada e à necessidade de expressar conceitos abstratos. O choro de doação de ajuda surgiu milênios mais tarde em vista que requeria estados psíquicos mais evoluídos e, sobretudo, empatia – a faculdade mental e emocional de se colocar no lugar do outro.

As lágrimas são um poderoso instrumento de comunicação de um indivíduo com os demais. Mesmo quando ele chora sozinho, o indivíduo quer dizer alguma coisa. Ele tenta expressar sua necessidade de atenção ou sua disponibilidade para partilhar sentimentos e emoções. Do choro do recém-nascido ao pranto no leito de morte, as lágrimas funcionam como palavras, mensagens criptografadas que muito expressam. Elas podem ser sinceras ou estratégicas, copiosas ou escassas. As pessoas que reprimem o próprio choro perdem um importante canal de diálogo.

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

O que muitas pessoas pensam erroneamente que chorar é um forte indicativo de fraqueza moral ou psicológica por quem chora. Esse pensamento ou julgamento é um grande erro e engano. O chorar, além do que foi explicitado acima, por um indivíduo que enfrenta uma situação desfavorável, dolorosa e complexa em sua natureza é por si só uma grande oportunidade de evolução.

Choramos não por fraqueza, mas para podermos externar a dor e nesse sentido esvaziar nossa mente e coração daquilo que está impedindo-os de crescer, de evoluir, de se tornarem melhores num nível acima. Choramos pela necessidade de organizar nossos pensamentos e termos a capacidade de enfrentar, de maneira racional, o problema ou situação que nos aflige.

O chorar “limpa” nossos olhos (entenda-se complexo mental) da poeira psicológica que nos cega e nos impede de enxergar a solução que nos retirará da agonia, da dor e do sofrimento que vivenciamos.

 

 

 

 

 

 

 

Procure se educar, daqui em diante, para que quando fluírem as lágrimas em seu rosto, sua mente entenda que é o momento oportuno de derramar o máximo possível delas, e a partir daí focar-se na busca de uma solução racional e prática para o problema ou dificuldade que lhe aflige. Não tenha vergonha de chorar, não contenha suas lágrimas em qualquer que seja a situação. Contendo o choro, você estará lutando contra si mesmo, contra a oportunidade que deseja ter para sair da dor e do sofrimento que o agonia.

As lágrimas são fruto de nossa evolução e uma oportunidade singular de nos tornarmos fortes, de adquirir forças até então desconhecidas dentro de nós mesmos.

Chore para se fortalecer, para se tornar melhor, mais forte, mais sábio, mais capaz, quando a dor cobrir seu coração.

Robert Thomaz

Você também pode gostar desse post:

Por que somos efeito de nossas escolhas? Essa afirmativa é pertinente?


Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.