Depressão: A doença silenciosa que sangra seu coração – Parte 2

depressão

A depressão quando se manifesta num indivíduo provoca efeitos psicológicos que refletem profundamente em sua qualidade de vida. Ele passa a apresentar angústia, melancolia, falta de ânimo, cansaço, ausência de prazer em atividades que antes lhe traziam alegria, e outros sintomas. Por essa razão ela também é conhecida como “a doença que sangra o coração” devido aos danos que causa no equilíbrio emocional, sentimental, amoroso e social da pessoa afetada.

Sob o ponto de vista científico, como citado na primeira parte deste conteúdo, a depressão é uma “queda”, um rebaixamento no contexto psicológico do indivíduo, ou seja, a ocorrência de um desequilíbrio mental. Pesquisas revelaram uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro da pessoa deprimida, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias fundamentais que transmitem impulsos nervosos entre as células nervosas que compõem o complexo mental.

Sob o ponto de vista psicológico ou terapêutico, a depressão é o efeito de uma perda (queda, retirada da base de sustentação emocional, sentimental) que leva o indivíduo a perder o foco de sua vida. Essa perda de foco leva-o a deixar de priorizar seus objetivos pessoais e profissionais, bem como não mais envidar esforços e suas capacidades no desenvolvimento de objetivos que até então vinham norteando sua vida. Ele deixa o primordial e afunda no “supérfluo”, no vazio existencial.

 

 

 

 

 

 

 

Pela gama de sintomas que podem ser manifestados pelo indivíduo depressivo podemos aquilatar a grandeza e o poder devastador dessa doença na saúde e qualidade de vida de uma pessoa. Vejamos os sintomas da depressão:

Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia – O indivíduo pode apresentá-los rotineiramente ou de maneira intermitente.

Desânimo, cansaço constante, necessidade de maior esforço para fazer as coisas – A falta de energia e vontade se evidenciam até para realizar ações fáceis, que muitas vezes não necessitam nem de leve esforço físico. Elas são manifestas por expressões fisionômicas de desagrado e reclamações verbais.

Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis – O indivíduo dificilmente demonstra alegria em atividades de lazer e entretenimento, chegando a manifestar repulsa por elas.

Desinteresse, falta de motivação e apatia – Sua visão positiva, otimista e alegre da vida se desvanece e suas opções de lazer e entretenimento não mais lhe motivam. Apresenta constante apatia.

Falta de vontade e indecisão – A falta de vontade é constante e veemente. A baixa autoconfiança leva o indivíduo à indecisão.

Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio – São sintomas que criam um espectro de angústia, melancolia e pavor.

Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte – São pensamentos e estados que provocam a ruína emocional e psicológica do indivíduo depressivo.

Desejo de morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio – Quando a depressão se aprofunda, o anseio de fugir da agonia que ela causa fixa-se na ideia incoerente que retirando a própria vida se estará acabando com a dor insustentável que o aflige.

Interpretação distorcida e negativa da realidade – Tudo ao redor é visto sob a ótica depressiva, a vida passa a ter um tom “acinzentado”.

Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento – Ocorre um comprometimento das potencialidades e capacidades mentais do indivíduo.

Diminuição do desempenho sexual – O indivíduo pode até manter a atividade sexual, contudo sem a conotação prazerosa habitual e da libido.

Perda ou aumento do apetite e do peso – O alimento por mais saboroso não lhe desperta o apetite, ou sua ansiedade em comer pode ser desenfreada, levando a perda ou aumento de peso.

Insônia – Dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial, despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo).

Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos – Como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.

 

 

 

 

 

 

 

Indivíduos que tanto apresentam episódios depressivos como a depressão propriamente dita há muito tempo, e por desconhecimento ou vergonha deixam de se tratar, acabam por provocar queda significativa em sua saúde e qualidade de vida. Eles podem apresentar uma série de problemas como:

– Baixas no sistema imunológico

– Aumento dos processos inflamatórios

– Cansaço extremo

– Fraqueza

– Insônia (ou sono de má qualidade)

– Dificuldade para se concentrar

– Problemas ou disfunções sexuais

– Problemas digestivos

– Isolamento social

– Suicídio

– Abuso de substâncias.

 

 

 

 

 

 

 

Após o levantamento das possíveis causas envolvidas e fatores de risco que provocaram a depressão deve-se fazer um planejamento terapêutico adequado para a recuperação ou cura do indivíduo. Dentre as terapias, a medicamentosa é uma das mais relevantes. Embora muitos indivíduos tenham temor e rejeitem a hipótese de ter que tomar diariamente os medicamentos prescritos, as medicações para o tratamento da depressão, em verdade, não são como drogas potentes que desequilibram o comportamento do indivíduo ou que lhe provocam o uso constante (vício). A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente.

Existem pacientes que precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios de depressão. Esse é o meu caso. Inicialmente, meu terapeuta prescreveu uma dosagem do antidepressivo por um tempo, a qual eu não me adaptei. Então ele reduziu a dosagem e em pouco tempo tive uma melhora significativa em minha ansiedade, ânimo, angústia e cansaço.

Atualmente tomo um comprimido do antidepressivo de baixa dosagem, o qual me permite ter uma vida relativamente tranquila e saudável, conciliado a prática de exercícios físicos diários, leitura, escrever e outras atividades voltadas para o campo cognitivo e de entretenimento. Tudo isso me permite ter uma boa qualidade de vida.

 

 

 

 

 

 

 

O Centro Médico de Southwestern, na Universidade do Texas (EUA) em estudo realizado descobriu que a prática de exercícios aeróbicos regulares pode reduzir os sintomas de depressão pela metade. De acordo com a pesquisa, o grupo que praticou exercícios aeróbicos cinco vezes por semana reduziu os sintomas em 47% após três meses de treinos. Já o grupo que se exercitava três vezes por semana melhorou seus sintomas em 30%.

Vale salientar que a atividade física proporciona distração e convívio social, além de liberar substâncias como a endorfina e a serotonina, responsáveis por melhorar o humor e estimular a sensação de prazer. Praticar esportes, seja de curta ou longa duração, causa bem-estar mental e melhora psicológica significativa na maioria das pessoas.

A psicoterapia ajuda o paciente, mas não previne novos episódios, nem cura a depressão. A técnica auxilia na reestruturação psicológica do indivíduo, além de aumentar a sua compreensão sobre o processo de depressão e na resolução de conflitos, o que diminui o impacto provocado pelo estresse.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

A prevenção sempre será mais lucrativa e coerente que a reparação. A depressão apesar de sua complexidade e ramificações no campo da estrutura mental também pode ser amenizada e relativamente neutralizada por ações preventivas que tornam melhor a saúde e qualidade de vida do indivíduo. Algumas medidas preventivas a adotar em relação à depressão:

– Exercícios físicos diários, se possível;

– Técnicas de relaxamento;

– Rituais religiosos e religiosidade;

– Arte-terapia;

– Lazer;

– Qualidade de sono, com horários definidos para deitar e acordar;

– Alimentação saudável e balanceada; e

– Prevenção e cuidados com outras doenças físicas, se existirem.

Finalizando esse longo conteúdo podemos afirmar que a depressão embora seja assustadora, quando colocada em seu devido lugar, não se torna nada mais que uma “brisa”.

Reestruture seu estilo de vida; adote a prática diária de exercícios físicos para estar em contato com a natureza e com outras pessoas; realize atividades manuais e que exijam o emprego de seu potencial intelectual e cognitivo; tenha objetivos definidos em sua vida; equacione de forma serena seus problemas e não lhes dê maior relevância do que merecem; encare a vida com otimismo, positividade e confiança, mesmo com suas dificuldades e problemas; exercite sua autoestima, se possível compre roupas novas e alegres, vá ao cinema ou veja um filme no conforto de sua casa. Estas são ações e medidas simples, exequíveis que você pode realizar sem muito esforço e recursos e que tem uma potencialidade impressionante no combate e minimização da depressão.

Não desista de você!

 

 

 

 

 

 

 

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

2 Comentários

  1. Francisca Lago

    Excelente conteúdo
    De ótima explicação pelo pesquisador.
    Francisca Lago

  2. Olá querida Francisca Lago, fico muito feliz que mais um dos meus conteúdos tenha lhe proporcionado conhecimento e saber. Gratidão por seu elogio e por sua visita ao meu blog.

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