Depressão: A doença silenciosa que sangra seu coração – Parte 1

depressão

A depressão é uma das doenças mais cruéis que se possa imaginar. Assim podemos afirmar por que ela muito difere das demais doenças que somos acometidos ao longo de toda a nossa vida. Ela é diferente no sentido que seus sintomas são descaracterizados, ou seja, não percebemos com facilidade e nem temos clara consciência e constatação quando estamos em depressão.

A depressão é uma doença silenciosa, discreta, que não apresenta inicialmente fortes dores físicas, não há manifestação de febre, contudo pode apresentar sintomas comuns a outras doenças, como diarreia, constipação, baixa qualidade do sono, perda ou aumento do apetite, perda ou ganho de peso e cansaço.

Esses sintomas por serem comuns a outras doenças ocultam, mascaram a depressão, fazendo o indivíduo crer que não está deprimido, mas sim acometido por doença de outra natureza. É aí que está o perigo velado dessa doença que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2020 será a segunda causa de morte mundial por doença, sendo superada apenas pelas doenças cardíacas.

 

 

 

 

 

 

 

Se você procurar sempre encontrará alguém que já sofreu um episódio depressivo ou tem a depressão como doença crônica. Eu não tenho por que me envergonhar, mas já tive depressão, mais de uma vez em minha vida e sou acometido por estados depressivos recorrentes. Nestes conteúdos vou passar a minha experiência pessoal em relação à depressão, medidas que emprego para evitá-la e como faço para ter uma boa qualidade de vida.

A depressão em si significa uma queda, um “abaixar” – suave ou severo – em sua visão da linha do horizonte de sua vida. Seria a chegada de um crepúsculo interior, dentro do indivíduo, que o leva à escuridão psicológica. A pessoa afetada deixa de ver clara e confiantemente o progredir de sua existência. Surge-lhe, inexplicavelmente, uma falta de energia demasiada em conjunto a uma considerável queda em sua autoestima. Esses efeitos danosos fazem surgir uma “dor fantasma” em seu coração, uma dor que não é física, mas psicológica, muito dolorosa e que o abate moralmente e desmotiva a tudo e a todos.

Quando estamos num estado depressivo ou em depressão, que é um estado mais grave, estamos em verdade mais “baixos” em termos de equilíbrio psicológico e emocional. A depressão, em síntese, é um desequilíbrio em nossa harmonia interior. Ela seria virtualmente o afundar do indivíduo no solo de sua mente, fato que o leva ao plano escuro e sufocante de sua consciência, ao cárcere mental onde a depressão é reinante e opressora.

 

 

 

 

 

 

 

Meus primeiros estados de episódio depressivo foram quando criança. Nasci num barraco semelhante àquelas casas insalubres comuns no Nordeste brasileiro e eu vivia constantemente triste, melancólico, era esquálido, vivia com fome, sem brinquedos, coberto por trapos de roupas e semidescalço.

Quando ao redor se tem pessoas que vivem em condições sociais e financeiras melhores que o indivíduo em questão, este por viver na miséria é acometido por estados depressivos ou pela depressão. Isso normalmente ocorre por que sua autoestima é muito baixa, ele não vê possibilidades e probabilidades de ser feliz e de ter os bens que os outros possuem e gozam em suas vidas.

Os meus episódios depressivos se reduziram ao longo de minha vida, contudo foram se tornando mais intensos. Numa fase de minha vida fiquei preso a uma cadeira de rodas por um tempo devido a uma grave lesão na coluna. Depois de operado foi-me dito que voltaria a ter uma vida normal, porém com limitações físicas. Esta constatação desencadeou a minha primeira depressão pelo fato de ser militar e fazer exercícios físicos durante a maior parte de toda a minha vida. Por fim, a minha qualidade de vida não foi reduzida, mas minha liberdade de ação sim.

Esse fato foi para mim uma perda, por que sou militar, paraquedista e escalador militar de montanhas, foi uma perda na liberdade de ação. Embora pareça dramatização, mas não é. Quero partilhar a experiência pessoal que me fez vivenciar a doença silenciosa que sangra o coração de tantas pessoas no país e no mundo, podendo levá-las à morte. O contexto em si representou uma perda, uma perda emocional que consegui superar parcialmente sozinho, mas com grande dificuldade.

Ainda não se sabe cientificamente as causas reais da depressão, porém são notórios os casos de pessoas que tem depressão decorrente de uma perda que não é material, mas que normalmente provoca um estado de tristeza, de melancolia, que pode ser de leve a grave, e um desgosto passageiro, estados que diferem da depressão. Quando se fica depressivo normalmente é por perda emocional, sentimental, amorosa e/ou social. Ficamos deprimidos quando perdemos natureza que nos limita em nossa liberdade de ação e escolha, seja ela de natureza física, emocional ou sentimental.

 

 

 

 

 

 

 

As minhas depressões seguintes foram por ocasião da aposentadoria e do divórcio. Depois da primeira, a qual eu não busquei ajuda psicológica, e consegui superar de maneira relativamente moderada, sozinho eu não tive forças para enfrentar as duas seguintes. Necessitei procurar ajuda médica para enfrentar a depressão decorrente da aposentadoria. Eu não me preparei devidamente para a inatividade, e isso é um erro em vista que ela pode abrir caminho a uma depressão. Um ansiolítico de baixa dosagem, muita força de vontade, fé e determinação ajudaram-me a superar o “cárcere demoníaco” da doença.

Embora tenha tomado medicamentos para a depressão que tive, eles não foram e não são suficientes para a cura, segundo o meu terapeuta. O indivíduo doente deve ter consciência que deve lutar, que deve ter vontade e determinação na busca por sua cura e restauração de sua qualidade de vida. Sou forte, sou um herói? Não, sou apenas um homem como qualquer outro que não permiti que a depressão destruísse a minha vida, o meu maior patrimônio.

Diversas pessoas não têm essa visão de que são capazes, desde que ajudadas, a superar a depressão que as acometeu. Se você apresentar uma tristeza ou melancolia recorrente, sem motivo ou com motivo obscuro, é aconselhável que procure um médico, um profissional da área, e determine-se a vencer essa doença que sangra o coração de uma pessoa até o seu último grau.

 

 

 

 

 

 

 

A depressão é uma doença mental, que está em estado latente em recônditos totalmente desconhecidos e não alcançáveis muitas vezes pelo indivíduo ou mesmo por terapeutas. Embora a classe médica alegue que a depressão tem cura, em muitos casos essa afirmativa não é verdadeira em vista que, muitas vezes, não há a mudança ou eliminação de fatores ambientais, sociais e emocionais que contribuem para a ocorrência da doença, mesmo depois do tratamento em curso ou concluído. Grandes progressos se têm conseguido em relação à doença, em termos de amenizá-la, de controlar sua incidência e sintomas.

Pelo fato de viver sozinho, atualmente num apartamento grande que seria ideal para uma família de quatro pessoas, a solidão tem presença constante no meu dia-a-dia. Devido também a solidão enfrentei após o divórcio uma depressão moderada que se transformou em episódios depressivos. Certamente você irá perguntar-me como eu os supero? Com vontade, determinação e algumas ações e medidas que me fazem não perder a qualidade de vida. Vou comentá-los ao longo deste conteúdo e em sua parte seguinte.

Ficar triste em momentos específicos da vida é algo normal, porém estes estados de tristeza podem ocultar episódios depressivos ou representarem o limiar de uma depressão. O episódio depressivo ou a depressão se inicia sem um motivo aparente, ou se ele existe o indivíduo não quer admitir que dele decorre sua profunda tristeza e/ou decepção com a vida.

Contrariando algumas teorias, a tristeza ou melancolia não deve ser longa e profunda, caracterizada por uma forte desmotivação para a vida e pensamentos negativos em relação a si próprio e sua existência. Quando o indivíduo a apresenta por mais de uma semana é motivo para que se fique alerta em relação a sua real natureza e causas.

 

 

 

 

 

 

 

A depressão é uma doença silenciosa que sangra o coração de sua vítima. Em sua democrática e silenciosa ação ela pode acometer qualquer pessoa, de qualquer sexo, gênero, idade e/ou classe social. Cientificamente, suas causas ainda não foram descobertas, entretanto, já foram confirmados fatores que podem estar envolvidos em seu desencadeamento:

Diferenças biológicas – Pessoas que sofrem de depressão apresentam mudanças físicas em seus cérebros. Embora a ciência ainda não saiba a relevância exata dessas diferenças no contexto do complexo mental, elas podem ser consideradas como uma das causas do aparecimento da doença.

Químicas do cérebro – Os neurotransmissores tem papel importante no funcionamento do cérebro e pesquisas descobriram que alterações na função e efeito dos mesmos, bem como a forma com que eles interagem com os diversos neurocircuitos que compõe o cérebro, podem ter um papel importante no desencadear da depressão e no seu tratamento, já que atuam diretamente na manutenção da estabilidade do humor do paciente.

Hormônios – Mudanças no organismo podem provocar o desequilíbrio da função e efeito de certos hormônios e, essas mudanças podem ser uma das causas do surgimento de episódios depressivos e/ou a depressão. Na gravidez e durante as semanas que precedem o parto são períodos onde ocorrem essas mudanças hormonais. Elas podem ocorrer também a partir de um problema da tireoide, menopausa, entre outros.

Genética – Pesquisadores já descobriram que é mais comum da depressão acontecer com um indivíduo que tem parentes que também apresentam a doença. Eles buscam descobrir quais os genes que estão envolvidos em sua causa.

 

 

 

 

 

 

 

Fator de risco se constitui na possibilidade de uma pessoa sadia, quando exposta a determinados fatores, ambientais ou hereditários, adquirir uma doença. Um mesmo fator pode ser de risco para várias doenças, como por exemplo, o tabagismo, ele é um fator de risco para diversos tipos de câncer assim como para doenças cardiovasculares e respiratórias.

Conheça os fatores de risco que podem influenciar diretamente no desencadeamento da depressão:

– Alguns traços da personalidade da pessoa, como baixa autoestima, autocrítica e pessimismo;

– Traumas ou estresses, como abuso sexual, morte, relacionamentos e situações difíceis;

– Trauma de infância;

– Ter parentes que já possuem um histórico de depressão, transtorno bipolar, alcoolismo ou suicídio;

– O fato de ter uma sexualidade que não é apoiada pelos pais, parentes ou amigos;

– Histórico de outros distúrbios da saúde mental, como transtornos de ansiedade, alimentares ou estresse pós-traumático;

– Abuso de álcool ou drogas ilícitas;

– Doenças crônicas, como câncer, AVC ou doença cardíaca;

– Determinados medicamentos, como alguns de hipertensão ou comprimidos para dormir.

 

 

 

 

 

 

 

A depressão apresenta naturezas diferentes que a maior parte das pessoas desconhecem, e devido a isso julgam que tem outras doenças ou a confundem com uma severa tristeza passageira. Algumas linhas de pesquisa a dividem em leve, moderada e grave, contudo, não especificam suas peculiaridades, não esclarecendo informações relevantes ao leigo. A seguir os tipos de depressão que existem:

Depressão grave – É o tipo de depressão menos comum do que a leve ou moderada e é caracterizada por sintomas intensos e implacáveis. Quando não tratada, a depressão grave tem duração de cerca de 6 meses e até mais que um ano e, algumas pessoas, são atingidas por apenas um único episódio em toda sua vida.

Depressão atípica – É um subtipo da depressão grave. Ela é caracterizada por um padrão de sintomas bem específico. As pessoas que sofrem desse tipo de depressão costumam ser melancólicos, apresentam principalmente tristeza e podem apresentar pensamentos de morte, desesperança e inutilidade. Outros sintomas recorrentes são o cansaço, o ganho de peso, o sono em excesso, o humor apático e a sensibilidade à rejeição.

Distimia ou depressão leve – A distimia é uma forma crônica de depressão e a pessoa que a possui especificamente tem sintomas não tão fortes como a depressão grave, mas eles duram por muito mais tempo, muitas vezes, dois anos ou mais. O paciente com distimia pode perder o interesse nas atividades diárias normais, se sentir sem esperança, ter baixa produtividade, baixa autoestima e um sentimento geral de inadequação. As pessoas com distimia são consideradas excessivamente críticas, que estão constantemente reclamando e são incapazes de se divertir.

Depressão pós-parto – A nova mãe quando é acometida por depressão pós-parto apresenta os sintomas de tristeza, crises de choro, alterações no humor e desesperança. Eles costumam desaparecer pouco tempo depois do parto. A razão principal de ocorrerem é devido às alterações hormonais decorrentes do término da gravidez.

Transtorno afetivo sazonal (TAS) – É a conhecida depressão sazonal que afeta cerca de 1 a 2% da população mundial e se caracteriza pela sensação de se sentir diferente no inverno: sem esperança, triste, tenso ou estressado. Esse tipo de depressão tem início no outono ou inverno, quando os dias se tornam mais curtos, e permanece até o início da primavera.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Realmente esses momentos em que meu coração sangrou pelo ataque da depressão não foram tão simples de superar. Embora o terapeuta tenha prescrito um ansiolítico, ele disse que a minha “cura” muito dependeria de minha vontade de voltar a ter uma boa qualidade de vida. Que eu teria que ter a mesma força de vontade e determinação que tive no pós-operatório da cirurgia da coluna.

Fiquei deitado numa cama por dois meses, apenas levantado para a fisioterapia, banho e necessidades fisiológicas. A fisioterapia foi dolorosa e longa, por que deixei de andar e perdi totalmente os movimentos e sensibilidade da perna direita.

Foi a mesma vontade de voltar a andar, de voltar a ter uma vida normal, por que pessoas dependiam de mim e eu queria voltar a ser um homem normal, que se fez presente na batalha contra a depressão. Uma batalha interior, na qual ninguém pode te ajudar, somente Deus.

Como constatei que tinha depressão e/ou episódios depressivos passei a adotar um novo estilo de vida, de modo a ter um novo ponto de equilíbrio para a minha qualidade de vida não se deteriorar. Morando sozinho, passei a dedicar-me a uma atividade a qual há muito desejava desenvolver: a escrita. Foi através da escrita, de criar conteúdos e poemas em prol da felicidade do próximo que eu passei a focar minha vida. Exercitar meu amor ao próximo dentro desse contexto cuja limitação era apenas alcançar o coração daquele que necessitava de amor, de atenção, de afetividade e compreensão. Esse ato de amor ao próximo trouxe uma forte motivação a minha vida, criando um foco constante que minimizou o surgimento da depressão e dos episódios depressivos.

Devido à lesão na coluna e à cirurgia passei a praticar atividade física todas as manhãs, de forma comedida, a fim de fortalecer os músculos dos quadris, região lombar e não aumentar de peso, visando manter minha higidez e condição física regular e razoável. A atividade física também me auxiliou na redução da ansiedade, fator de risco que dispara o estresse, um dos fatores de risco desencadeadores da hérnia de disco e das dores nas costas.

Continue a ler este conteúdo na postagem da semana que vem…

 

 

 

 

 

 

 

Robert Thomaz

Ouça o #podcast deste assunto. CLIQUE AQUI

Você também pode gostar desse post:

Ganhos e perdas se constituem no protocolo mental e saiba por quê?



Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.