Conhecendo as faces da síndrome da fibromialgia – Parte 1

fibromialgia

Knowing the faces of fibromyalgia syndrome – Part 1

A dor é o cartão de visitas da maioria, se não de todas as doenças. Ela é um dos sintomas mais fortes e debilitantes na natureza humana. Quando se fala em dor logo se associa à doença, à saúde comprometida, à felicidade afastada e prejudicada. E nos tempos modernos, surpreendentemente, a dor foi aquinhoada com uma síndrome denominada pela Ciência de fibromialgia. É comumente confundir-se síndrome com doença, porém existe uma tênue diferença entre estas terminologias.

Síndrome vem do grego syndromé cujo significado é reunião. É um termo bastante utilizado em Medicina e Psicologia para caracterizar o conjunto de sinais e sintomas que definem uma determinada patologia ou condição. A Medicina indica que uma síndrome não deve ser classificada como uma doença, indicando que no caso de uma síndrome, os fatores que causam sinais ou sintomas nem sempre são conhecidos, o que acontece (quase sempre) no caso de uma doença.

A síndrome da fibromialgia ou simplesmente fibromialgia, como vamos empregar doravante, é uma síndrome cujo histórico é amplo e que apresenta várias nuances normalmente desconhecidas, e reforçadas por esse desconhecimento, que agravam o estado dos enfermos.

 

 

 

 

 

 

 

A fibromialgia é desconhecida até por profissionais da área de saúde no que concerne ao diagnóstico correto da enfermidade e a sua devida compreensão. Embora seja uma síndrome que acomete majoritariamente mulheres, ela também ataca a homens, sendo o que muda entre os gêneros é o desdobramento dos sintomas. Devido às peculiaridades do universo masculino, o diagnóstico no homem tende a ser de mais difícil detecção.

Essa particularidade existe em função da visão que nossa sociedade contemporânea tem sobre a figura masculina. Os homens são criados com o pensamento de serem invulneráveis, imbatíveis em relação a tudo, considerados a base e o pilar fundamental da família, além de serem seu elemento protetor e provedor. Esse pensamento incompreensivo não abre espaço emocional ao homem para viver – infelizmente – suas crises e tragédias. Publicamente torna-se para ele muito difícil assumir sua fragilidade e suposta fraqueza quando acometido por uma doença debilitante e restritiva.

A fibromialgia faz com que o homem se sinta fraco e fracassado como marido, companheiro e homem, pelo fato de apresentar uma “doença de mulheres”. Ele se julga o último e o pior dos homens. Este pensamento é errôneo e cruel, e o faz mergulhar de “cabeça” no mar da depressão. Normalmente, por desconhecimento, a família que é primordial em seu tratamento e recuperação trata-o com desprezo, indiferença e desatenção em resposta aos sintomas e sinais que demonstra. Essas ações levam-no a isolar-se, fato que piora seu estado e dificulta seu tratamento.

 

 

 

 

 

 

 

Pesquisas de longa data revelaram que a fibromialgia afeta cerda de 7% a 9% da população mundial, em especial mulheres na faixa dos 35 aos 50 anos, mas pode também aparecer em suas adolescências. Embora o percentual de homens seja bem inferior ao universo feminino, não menor relevância ele tem no contexto da saúde pública.

A maior das batalhas para as mulheres, após a sensação de dor crônica, é o preconceito. Pelo fato da síndrome ser caracterizada pela dor (sintoma principal), ela afeta severamente o comportamento, o temperamento e as emoções da mulher. Esta se apresenta constantemente cansada, desmotivada e indisposta para todas as ações e atividades que exijam energia, esforço físico e persistência. Essa falta de ânimo e motivação afetam particularmente os relacionamentos – em todos os níveis – e comprometem a felicidade e o bem-estar da mulher.

Em termos de relacionamento a mulher passa a ser vista como fria, indiferente, desmotivada para o amor e o sexo, incapaz profissionalmente e para as atividades do lar. A injusta avaliação e incompreensão, justificadas pelo desconhecimento, daqueles que a cercam agrava seu estado psíquico e emocional, propiciando o surgimento de um quadro depressivo, fato que piora ainda mais seu estado de saúde.

Os estudos realizados descobriram que a síndrome decorre da sensação generalizada de dor. A pessoa sente dores por todo o corpo durante longos períodos, com sensibilidade elevada nos músculos, tecidos moles, tendões e articulações. Ela é descrita como uma sensação de queimadura ou de mal-estar.

A fibromialgia pode em algumas oportunidades iniciar-se pela dor generalizada, contudo também pode manifestar-se nas seguintes regiões do corpo: pernas, região lombar, pescoço, ombros, músculos dos braços.

As pesquisas que vêm sendo realizadas há décadas descobriram que a síndrome é caracterizada por dor crônica que migra pelo corpo do indivíduo. Foram levantados dezoito pontos fundamentais, sendo nove de cada lado do corpo:

1 – na região subocciptal (atrás da cabeça);

2 – no músculo trapézio (em cima do ombro e nas costas);

3 – na região supraespinal;

4 – na altura das vértebras cervicais;

5 – na articulação condrocostal, onde a segunda costela se insere no osso esterno;

6 – no joelho, especialmente na parte de trás do joelho;

7 – no trocanter, área onde o fêmur se encaixa na bacia;

8 – na região glútea;

9 – do lado do cotovelo.

 

 

 

 

 

 

 

Porém, o aprofundamento das pesquisas levou a mudança do diagnóstico padrão. Anteriormente, o médico apalpava os dezoito pontos dolorosos espalhados pelo corpo para diagnosticar a fibromialgia. Hoje são levados em conta os seguintes fatores:

– Dor difusa em cinco a sete partes do corpo por mais de três meses;

– Cansaço crônico;

– Problemas de memória e concentração;

– Insônia e sono não reparador;

– Diarreia ou prisão de ventre frequentes;

– Vontade constante de urinar;

– Suor em excesso;

– Sensibilidade ao frio;

Embora a fibromialgia não tenha cura, uma boa parcela dos fibromiálgicos consegue obter a cura funcional, ou seja, submetem-se a tratamentos que minimizam os sintomas que comprometem sua qualidade de vida, bem-estar e felicidade. Novos critérios foram estabelecidos para o diagnóstico do portador da síndrome. Ele deve apresentar dor por mais de três meses em diferentes áreas do corpo, acompanhada de fadiga, distúrbios do sono e de memória ou, ainda, problemas gastrointestinais.

 

 

 

 

 

 

 

Nos estudos sobre a mente humana verificou-se que a possível causa da fibromialgia seja uma desordem ou descontrole da maneira como o complexo mental processa as sensações de dor. As pesquisas revelaram que o portador da síndrome apresenta alterações na anatomia cerebral. No grupo de mulheres pesquisadas constatou-se que parte delas que apresentavam essa hipersensibilidade à dor havia um fluxo maior de sangue em regiões que identificam a dor.

Paralelamente, notaram uma queda de circulação na área destinada a controlar os estímulos dolorosos. Nas voluntárias saudáveis que participaram da pesquisa, nenhuma alteração foi detectada. Este trabalho esta em consonância a inúmeros outros sobre a presença do distúrbio, como o aumento dos níveis de substância P, o neurotransmissor que dispara o alarme da dor e a menor disponibilidade de serotonina (chamada de hormônio da felicidade, é uma substância sedativa e antidepressiva que tem uma relação direta com o estado de ânimo, alegria e disposição) que também avisa ao sistema nervoso que a causa da dor já passou.

No contexto da fibromialgia figuram fatores de constatação da síndrome e fatores de risco. Os fatores de constatação da síndrome se constituem em indicativos que concorrem para a constatação da enfermidade. Fatores de risco se constituem na possibilidade de uma pessoa sadia, quando exposta a determinados fatores, ambientais ou hereditários, adquirir ou manifestar uma doença. Um mesmo fator pode ser de risco para várias doenças, como por exemplo, o tabagismo, ele é um fator de risco para diversos tipos de câncer assim como para doenças cardiovasculares e respiratórias.

Fatores de constatação da síndrome que podem auxiliar o médico na confirmação do diagnóstico:

 – O fato genético é um dado significativo em vista que a fibromialgia é muito recorrente em pessoas da mesma família, considerando-se que existem mutações genéticas capazes de causar a síndrome;

– Distúrbios do sono, ansiedade, depressão, sedentarismo;

– Infecções por vírus e doenças autoimunes podem estar nas causas da enfermidade;

– Traumas emocionais ou físicos, como um acidente de carro;

– Mudanças hormonais.

Fatores de risco que podem influenciar diretamente no desencadeamento da fibromialgia:

– Mulheres que apresentam dificuldade de iniciar o sono ou de permanecer dormindo estão mais propensas a desenvolver a síndrome do que aquelas que dormem bem;

– As mulheres são mais propensas do que os homens a apresentar a síndrome;

– O fator genético é verificado em vista da recorrência entre membros da mesma família;

– Estresse e traumas, como términos de relacionamentos, perdas, baques profissionais, problemas em casa, traumas na infância e acidentes de carro que afetam a região do pescoço servem de gatilho para o distúrbio ou para o seu agravamento;

– Sensibilização central – Pessoas com fibromialgia têm uma alteração neuroquímica no sistema nervoso central, que aumenta a percepção da dor. Possuem menos substâncias que inibem essa sensação e mais moléculas encarregadas de amplificá-la;

– Distúrbios psíquicos como a depressão e a ansiedade são comuns em portadores da síndrome e podem tanto desencadeá-la quanto ser uma consequência da dor crônica e da fadiga;

– A existência de menos fibras nervosas – Esse fator foi descoberto segundo um novo estudo americano, no qual se constatou que portadores da síndrome apresentam uma menor densidade de fibras nervosas na epiderme, o que ajudaria a explicar as dores constantes e que surgem após um leve toque na pele;

– Conspirações do ambiente – A síndrome pode se manifestar após infecções bacterianas e virais. Além disso, seus portadores ficam mais sensíveis ao frio, à umidade, ao excesso de esforço.

 

 

 

 

 

 

 

Os fibromiálgicos apresentam os seguintes sintomas, podendo variar de indivíduo para indivíduo em função de suas características físicas, estado de saúde, idade, peso, e outros fatores:

– Dor generalizada, que leva o fibromiálgico a ter cansaço, fadiga. Estes promovem a falta de energia e indisposição para realizar atividades rotineiras;

– Enxaqueca clássica ou dores de cabeça recorrentes, dor pélvica e dor abdominal;

– Funcionamento inadequado do intestino (cólon irritável);

– Sensibilidade durante a micção (síndrome da bexiga irritável) e ao sono pouco reparador, o que faz as pessoas já levantarem cansadas.

– Transtorno de memória e de concentração;

– Dificuldades cognitivas;

– Palpitações;

– Formigamento e dormência nos mãos e nos pés;

– Moderada irritabilidade devido à dor.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Psicologicamente somos afetados pelos efeitos (sintomas) de uma enfermidade que nos acometeu. Dependendo da enfermidade e o nível de desconhecimento de sua natureza, somos assaltados por uma insidiosa ansiedade. Esta normalmente é a chave da porta do reino da depressão, doença grave que se não for debelada inicialmente pode nos arremessar no abismo da escuridão emocional e desta ao suicídio.

Em nosso íntimo faz-se necessário saber a causa da enfermidade. Perguntamo-nos no silêncio de nossas noites: “Por que eu fiquei doente?! Onde eu errei?!”. Enquanto a causa da enfermidade não é descoberta ficamos reféns da ansiedade avassaladora. Entretanto, ela pode ser amenizada – e muito – quando somos esclarecidos a respeito da doença que nos aflige.

O conhecimento de alguma coisa que nos causa dor e temor ameniza estes estados e suas gravidades. Este conteúdo e o seguinte tem essa finalidade. Esclarecer, elucidar, tornar claro o que é a fibromialgia, suas características, sintomas, e tratamento.

No próximo conteúdo falarei sobre o tratamento e controle da fibromialgia.

Continue a ler este conteúdo na postagem da semana que vem…

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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