Ganhos e perdas se constituem no protocolo mental e saiba por quê?

ganhos

Primeiramente, faz-se necessário a definição de alguns conceitos básicos do assunto para um melhor entendimento:

Protocolo – São normas e regras que se deve respeitar previstas num acordo bilateral; formalidade, mandamento, preceito, regra.

Dilema – Circunstância árdua e de difícil resolução em que é necessário escolher entre duas opções contraditórias, contrárias ou insatisfatórias; escolha excessivamente difícil.

Ganho (ou aquisição) – Benefício concedido, lucro auferido, vantagem conseguida, sucesso alcançado.

Perda – Prejuízo, dano, privação de algo que se possuía, retirada, subtração de valores abstratos ou bens materiais.

Ganhos e perdas. Por que esses dois conceitos se constituem no protocolo mental da natureza humana? Qual a influência deles no contexto da vida e na felicidade do ser humano? O que eles representam de tão relevante no processo de decisão no qual o individuo deve definir uma escolha que o conduzirá a um caminho a seguir?

Ganhos e Perdas são naturezas que interagem no complexo mental

Embora não percebamos, mas durante a vigília ocorrem várias, talvez milhares de tomadas de decisão que executamos para que nossa existência se desenvolva, prossiga em frente, siga adiante. Por vezes, em sua maioria, são decisões tão pequenas que nossa mente executa-as de forma mecânica, não exigindo nossa plena atenção e esforço mental.

Por exemplo, se você vai se dirigir a um escritório no décimo andar de um prédio, para uma reunião onde fará uma apresentação a um grupo de funcionários de uma empresa. Diante dessa situação, sua mente optará (decidirá) por você usar o elevador, ao invés de subir pelas escadas, em vista que esta última ação demandará um elevado esforço físico e a perda significativa de tempo.

O processo de tomada de decisão é um sistema de avaliação mental no qual o homem adota uma decisão diante de uma situação que a vida lhe apresenta, visando uma ação imediata, próxima ou distante. Sendo uma situação importante ou simples, o complexo mental processará a decisão a ser tomada verificando quais os ganhos e perdas que o indivíduo sofrerá em função da escolha adotada. A decisão é o desencadear da ação ou ações após a escolha definida no processo de avaliação.

Na avaliação da escolha a ser adotada, o complexo mental avalia os ganhos, que se constituem em todos os valores que poderão ser adicionados, que se aglutinarão aos valores já estabelecidos no contexto psicológico da memória e na personalidade do indivíduo. Essas aquisições podem ser de natureza física, psicológica ou material. Vejamos novamente o exemplo da apresentação aos funcionários da empresa.

Em tese, a sua escolha será usar o elevador, considerando ser a melhor escolha. Por quê?

Ora, o complexo mental a definirá pelo fato de que na avaliação processada, os ganhos apresentados certamente foram (muito) maiores do que as perdas. Vejamos alguns deles:

– Você não chegará cansado, suado, desmotivado para a apresentação;

– Não se sentirá pressionado por um possível atrasado em vista que a subida pelo elevador se processará de forma relativamente rápida quando comparada a subida pelas escadas;

– Sua camisa e colarinho não apresentarão manchas de suor em vista que você estará estático durante a subida no elevador, não necessitando qualquer esforço físico;

– Não estará estressado e nem ansioso pelo fato de não despender esforço físico algum.

No caso de usar as escadas, algumas das perdas seriam: cansaço, sudorese, desconforto, desmotivação, ansiedade, estresse, mudança no humor e perda da elegância. Normalmente as aquisições refletem valores psicológicos, físicos ou materiais que proporcionam ao indivíduo satisfação, alegria, prazer, júbilo, exaltação, e as sensações de sucesso e felicidade. Da mesma forma que as perdas, elas redundam em mudança significativa na evolução do indivíduo.

Tanto as aquisições como as perdas podem ser provocadas por uma natureza interna ou externa.

Quando o ganho é provocado por natureza interna, o complexo mental entende que ele surgiu em decorrência de lembranças, reflexões, pensamentos e mudanças de comportamento do indivíduo ou por algum outro fator que lhe serve de causa, armazenado na memória.

Quando provocado por natureza externa, o complexo mental entende que ele surgiu em decorrência de fato, ação ou objeto externo que lhe serve como causa.

Tanto no caso de natureza interna como externa, o complexo mental entende que deve se articular e se estruturar no sentido que o indivíduo faça uma mudança simples ou relevante em sua ampla estrutura comportamental (ações e reações, comportamentos, sentimentos, emoções, pensamentos, etc.).

Ganhos e perdas ocorrem em decorrência de uma necessidade de mudança seja ela de conduta, comportamento, profissão, relacionamento amoroso, enfim praticamente todos os campos da esfera de vivência do ser humano.

O indivíduo confronta-se com um dilema que lhe exige uma escolha. Essa escolha resultará em um ganho ou em uma perda. Será uma aquisição se seus efeitos forem positivos e uma perda se eles forem negativos.

A escolha realizada e a decisão tomada resultarão em ganho ou perda, que poderá gerar satisfação, prazer, saúde, alegria, felicidade, ou sobrevivência – caso seja uma aquisição – ou infelicidade, doença, dor, melancolia, depressão, suicídio e morte – caso seja uma perda.

Vejamos alguns exemplos de ganhos:

O homem ao longo de sua história desenvolveu sua mente em função da necessidade de sobrevivência.

Essa necessidade demandou a criação de inventos (aquisições) como a roda, o martelo, as ferramentas, máquinas, veículos, etc. que lhe permitissem se locomover mais facilmente e com conforto; que lhe facilitassem a construção de moradias e instalações (aquisições); que diminuíssem seu esforço físico e mental na construção de máquinas e equipamentos (aquisições) necessários a sua sobrevivência, poder e evolução.

O homem e a mulher no relacionamento sexual buscam conhecimentos e informações (aquisições) relativos a seu prazer, proteção e preservação, bem como o seu desempenho sexual visando sua autossatisfação e de seu parceiro.

O indivíduo ao ter a perda de um ente querido (pai, mãe, irmão, amigo, etc.) sofre profundamente com o fato e sofrerá muito mais com o não existir mais do indivíduo amado. A perda em si não gera ganho, mas sim a circunstância em que esta enquadrada. Um ganho insatisfatório, desagradável, que se constitui na solidão, na saudade que se configurará no futuro, que poderá gerar uma depressão ou intermitente estado depressivo. O contexto desse gênero de perda trará aquisições insatisfatórias e danosas.

Se na perda do ente querido, o complexo mental do indivíduo não se articular e se estruturar no sentido que ele supere o infortúnio e passe a viver em função da vida que lhe resta e não de um sofrimento baseado na perda ocorrida, ele nunca mais poderá ser feliz ou proporcionar felicidade aos que fazem parte de seu convívio e de sua história de vida.

Nos exemplos acima fica bem claro de perceber-se o valor e a importância dos ganhos para a felicidade, o prazer e a alegria de um indivíduo e das pessoas que convivem com ele.

Perdas são todas as naturezas de caráter negativo que o complexo mental entende como valores que também se adicionam, se aglutinam aos valores já estabelecidos no contexto psicológico da memória e da personalidade do indivíduo.

As perdas se constituem em valores psicológicos, físicos e materiais que geram tristeza, dor, insatisfação, melancolia, ansiedade, medo, insegurança, depressão e infelicidade. Da mesma forma que as aquisições, elas redundam em mudança significativa na evolução do indivíduo, mas de caráter negativo.

Quando provocada por natureza interna, o complexo mental entende que ela surgiu em decorrência de lembranças e pensamentos negativos, que lhe causam dor, insatisfação e sofrimento ou por algum outro fator que lhe serve de causa, armazenado na memória.

Quando provocada por natureza externa, o complexo mental também entende que ela surgiu em decorrência de fato, ação ou objeto externo que causa os mesmos desconfortos.

Os ganhos e perdas se constituem no protocolo universal da mente porque o homem não é natureza estática, ele se move, caminha, estuda, planta, colhe, fala, empreende, pratica esportes e atividades diversas. Sempre que surgir um dilema, surgirá a necessidade de uma decisão baseada numa escolha, por mais simples ou complexa que ele seja.

A grande diferença entre ganhos e perdas é que, por natureza, o complexo mental é estruturado a lidar de forma mais simples, serena e satisfatória com os primeiros e não com os últimos. As perdas representam uma espécie de “invasor mental” num paraíso estabelecido e “imaculado” que é o complexo mental. A presença de uma perda na mente provoca-lhe desequilíbrio, que pode gerar em vários níveis: dor, angústia, aflição, sofrimento, ansiedade, depressão. Essa perda gera a ativação de um mecanismo de defesa do que visa preservá-lo.

Esse mecanismo de defesa, em síntese, é o nosso instinto de #autopreservação. Ele vai tentar vencer o invasor, entretanto, este invasor nasceu dentro dele mesmo e tem forças similares a que ele dispõe. Somente a relevância e a sólida ação da autoestima, da autoconfiança e da autopreservação serão capazes de fazer a mente vencer essa guerra psicológica e emocional. Parece complicado na primeira leitura, mas se você ler com calma e procurar entender cada parte desta teoria perceberá que não é.

Não fica difícil entender que as perdas tem grande peso nessa luta quase desigual. A interação plena entre estas naturezas é que vai definir a evolução do indivíduo, seu caráter e natureza. Se ele será feliz ou infeliz, bondoso ou mal.

Quando ocorre uma perda e o indivíduo não entende que deve mudar, que deve se reestruturar em função da dor e dos demais efeitos nocivos que o acometem, ele passa a ter um estilo e padrão de vida diferentes, contraditórios em relação aos que tinha anteriormente, antes da perda. Sua vida será marcada pela dor, sofrimento, insatisfação, decepção, angústia e infelicidade.


Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Os ganhos e perdas, em qualquer situação, definirão o caminho a seguir pelo indivíduo, tanto no plano psicológico e emocional, como no plano social, conduzindo-o à felicidade ou infelicidade.

Aquisições provocam outras aquisições, desde que o indivíduo haja com base na positividade, no compartilhamento daquilo de bom que obteve com alguém que necessite do mesmo valor adquirido.

Perdas apresentam em sua natureza valores negativos que têm o poder de atrair outras perdas, que vão se aglutinando umas às outras, causando-lhe dor e sofrimento, insatisfação e infelicidade, dando causa à depressão e até ao suicídio.

O indivíduo deve perceber que necessita e deve buscar por ganhos em suas escolhas e decisões, para que sempre que possível tenha sua vida marcada pelo prazer, alegria, satisfação, sucesso e felicidade. Essa premissa de optar por aquisições – fato que não depende única e exclusivamente da vontade do indivíduo – é que o conduzirão à evolução e ao afastamento de novas perdas.

Uma boa orientação para se realizar boas #escolhas e, consequentemente, boas decisões, é realizar a si mesmo as seguintes perguntas quando diante de um dilema:

– O que eu ganho se fizer essa escolha?

– O que eu perco se fizer essa escolha?

– O que eu ganho se não fizer essa escolha?

– O que eu perco se não fizer essa escolha?

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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