Na vida, você é o herói ou o vilão?

herói

Não torça os lábios e nem deixe de continuar lendo este conteúdo, kkk, pode parecer, mas ele não tem viés religioso ou assemelhado. Apenas o exemplo que vou usar a seguir é muito pertinente em relação ao assunto abordado e nos servirá de referência.

Jesus Cristo foi considerado culpado pelo sinédrio (assembleia religiosa judaica do tempo de Jesus, que governava e julgava o povo judeu de acordo com a Lei de Moisés e as tradições judaicas) por pregar a Palavra de Deus.

Nada de errado havia em Jesus pregar a Palavra do Senhor, porém o que havia na época era uma ordem social e política totalmente contrária aos princípios estabelecidos nos mandamentos de Deus. Jesus foi condenado e passou pelo calvário da cruz, ou seja, foi considerado o “vilão” daquele momento da história, enquanto Barrabás, um notório assassino, foi solto segundo uma lei da época que preconizava a liberdade de um preso conforme a vontade do povo. Barrabás foi o “herói” e Jesus foi o “vilão”, uma incoerência.

Jesus Cristo foi considerado o inimigo público número um da sociedade romana da época. Ora Jesus nada tinha e nunca foi um vilão! Em verdade, ele sempre foi o herói! Nunca matou, roubou ou maltratou alguém, pelo contrário, exerceu a caridade em seu mais alto grau, curando e anunciando o Evangelho a todos, indistintamente, algo que contrariava interesses pessoais e políticos de muitos. Por este motivo foi visto e injustamente considerado um vilão.

Estamos inseridos em “células-ambiente” da sociedade, que são a nossa família, o ambiente de colegas de trabalho, o ambiente de colegas da faculdade, o ambiente de amigos pessoais. Nestas células, em função do comportamento e atitude de cada indivíduo, ele será visto e considerado um “herói” ou um “vilão”. Será visto e considerado uma pessoa de bom caráter, com qualidades desejáveis, o qual todos querem ter ao seu lado por que agrega valores positivos; ou uma pessoa de má índole, de predicados censuráveis, que mais subtrai do que soma, e que se possível seria banido da sociedade ou preso, segregado numa prisão.

Infelizmente, esse tipo de pensamento parcial tramita de forma veemente na consciência de todas as pessoas, de todos os seres humanos. Julga-se um indivíduo por seus comportamentos e atitudes, por suas qualidades e defeitos, se estes fatores trazem ganhos ou perdas na convivência diária com outros indivíduos dentro das células que vivem. Esse oculto julgamento é diuturno, em todos os momentos e horas que as pessoas encontram com o referido indivíduo, colocando-o insensatamente no banco dos réus sem, no entanto, conhecerem um pouco mais de si mesmas e a partir daí, com veracidade, julgar menos ou não julgar aqueles que lhe são semelhantes.

Certamente, em algum dia de sua vida, você encontrou dificuldades em se definir como um herói ou vilão de seus relacionamentos. Você seria um herói para si mesmo ou um vilão no relacionamento intrapessoal, que se constitui na capacidade do indivíduo administrar seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos e medos?

E no caso do relacionamento interpessoal, que abrange sua relação pessoal com familiares, amigos, colegas de trabalho, superiores profissionais e desconhecidos, você poderia se definir como uma pessoa afável, atenciosa, altruísta? Ou é uma pessoa introspectiva, arrogante, indiferente, fria e focada somente em objetivos pessoais e profissionais da empresa na qual é funcionário?

Embora se possa negar, mas existem duas visões distintas de nós mesmos. Uma seria aquele conteúdo no qual acreditamos ter um determinado perfil segundo nossos pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos. A outra seria aquela como realmente as pessoas que habitam nossos relacionamentos, nossas “células-ambiente” nos veem e nos interpretam. Podemos ser bons para nós mesmos, contudo podemos ser maus aos olhares alheios.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A figura do herói se constitui num modelo desejável, admirado e contemplado por todos com os quais se mantêm um relacionamento interpessoal.

Desde os primórdios da vida de um indivíduo, em termos de conteúdo presente em seu complexo mental, ele apresenta um universo de carga hereditária no qual herda princípios oriundos da fusão genética de seus pais. Contíguo a este universo existe outro, que será preenchido por suas experiências nos ambientes que viverá ao longo de sua existência.

No decorrer de seu crescimento físico e mental a figura do herói passa a confrontar-se com diversos aspectos do meio ambiente imediato em que vive. Os confrontos mentais que se estabelecem em seu complexo mental causar-lhe-ão desconforto e ansiedade, em vista que lhe exigem escolhas a serem realizadas. Ele realmente será um herói em sua vida ou mergulhará no âmago do vilão?

Nestes confrontos mentais o herói se depara com a figura do pai e suas raízes familiares básicas. Seu universo preenchido pela carga hereditária exige que ele se defina pelo perfil do pai que lhe serve de modelo, de farol orientador ou busque princípios que lhe servirão de base e se constituirão em seu perfil definitivo. É lícito afirmar que esse estado conflituoso se estabelece nos períodos da pré-adolescência e adolescência. Neles ocorre a escolha e definição do perfil definitivo do indivíduo.

Até que estes fatos (escolha e definição do perfil) se definam ocorre o despertar de uma força interior que rompe barreiras. Externamente, ela pode ser observada nos seguintes comportamentos do indivíduo: conflitos de geração, atos de rebeldia jovial, introspecção, delinquência juvenil, tristeza, depressão, consumo de bebidas alcóolicas, consumo de drogas ilícitas.

No evento seguinte o herói se emancipa de suas raízes, entretanto passa a confrontar-se com seu alter-ego, uma personalidade – que pode ser muito semelhante a do pai ou pessoa que o influencia – de caráter dominante, que objetiva a sua adoção como perfil definitivo.

Após o evento de confrontação, o indivíduo percorre uma revisão de seus valores individuais. Ele (o herói) se identifica com o perfil no qual será bondoso, piedoso, prestimoso, atencioso, altruísta (que demonstra amor desinteressado pelo próximo), carinhoso, simpático, empático, etc. Em síntese, será um perfil com fortes tendências positivas e encaminhadas ao sucesso amoroso, pessoal e profissional.

Finda a revisão de valores – atributos e qualidades – o indivíduo ingressa num evento no qual vivencia a discussão interior de sua vocação de herói. Ele se questiona se suportará o papel de ego-herói desejado, abrindo mão da outra modalidade (vilão). Feito a escolha ocorre a transcendência. O indivíduo, consciente ou não de sua decisão, assume o perfil de ego-herói promovendo a morte de valores antigos não presentes no perfil assumido.

 

 

 

 

 

 

 

O contexto e formação da figura onde está inserido o vilão pouco diferem do contexto do herói. Suas diferentes surgem a partir do evento de revisão de valores individuais. Neste evento o indivíduo se identifica com o perfil no qual será maldoso, arrogante, indiferente, parcial, impiedoso, frio, egoísta, falso, infiel, traiçoeiro, com várias ausências de valores positivos. A identificação, consciente ou não, leva-o a escolher pelo perfil do vilão. Em síntese, será um perfil com fortes tendências negativas, que busca prejudicar o próximo e, consequentemente, a si mesmo. O vilão não se conduz com tanta veemência ao sucesso próprio, que poderá ser meramente ocasional.

O vilão em sua vivência nociva objetiva a satisfação própria, calcada na derrota ou fracasso alheio, independente dos efeitos que possam advir para ele e sua vítima. A vítima é qualquer indivíduo que cruze seu caminho e possa lhe servir de alvo. Sua vida oscila entre fracassos, derrotas e alcances esporádicos de sucesso amoroso, pessoal e profissional.

 

 

 

 

 

 

 

Ocorrem casos em que a personalidade do indivíduo não se define nem pelo herói e nem pelo vilão. Embora o indivíduo enfrente os ritos de passagem citados anteriormente ocorrem casos em que ele não adota de maneira definida o perfil de herói e nem de vilão.

Quando isso ocorre podemos definir que seu perfil é híbrido, sendo dominante o perfil do vilão que usa o perfil do herói como mecanismo de defesa nos momentos e circunstâncias que lhe são desfavoráveis. Será um indivíduo de dupla personalidade no sentido de agir como herói para ser aceito em “células-ambiente” que lhe despertam o interesse e apresentem alvos compensadores. Porém, quando nelas inserido, deixará fluir seu perfil de vilão, sempre que lhe for oportuno e visando o alcance de objetivos ilícitos.

 

 

 

 

 

 

 

O indivíduo com perfil de herói no âmbito familiar tem sua atuação caracterizada por promover ações que valorizem a qualidade de vida própria e de seus familiares. Ele se preocupa com a harmonia, a alegria, a felicidade própria e dos entes queridos. Suas ações são focadas na qualidade dos relacionamentos, rumando sempre em direção da felicidade, saúde e bem-estar. Ele serve de esteio à família por ocasião das intempéries da vida, proporcionando-lhe segurança física e financeira, estabilidade emocional, apoio moral e cognitivo, saúde e bem-estar. Os membros da família tem em seu perfil um modelo a ser seguido.

No contexto profissional, o herói é visto como figura clara do altruísmo, da bondade, do companheirismo, da segurança emocional. Sua atuação beneficia a todos que com ele tem contato e dele necessitam para alçar melhores postos e remunerações. O herói na profissão não apresenta caráter invejoso e nem pratica qualquer ato nocivo à felicidade e realização profissional de seus colegas de trabalho. Daí concluir-se que seu sucesso profissional é efeito de seu perfil valoroso e meritório.

 

 

 

 

 

 

 

O indivíduo com perfil de vilão no âmbito familiar tem sua atuação caracterizada por promover ações que desarticulam, desarmonizam a vida de todos integrantes da família. Suas ações visam apenas obter benefícios próprios, independente se irão causar danos ou prejuízos a algum familiar.

Ele pouco ou não valoriza o aspecto da qualidade de vida própria e dos familiares. Sua preocupação é a satisfação própria e conquista egoística de benefícios financeiros ou patrimoniais. Envolve-se em ações e práticas ilícitas e condenáveis, tem comportamento permissivo e pernicioso, comprometendo a educação e formação dos membros mais novos da família.

Os membros da família que tem tendência em adotar o perfil do vilão acabam por identificar-se com ele. O vilão não somente torna a família insegura, mas estimula a ocorrência de intempéries da vida, causando medo, desgosto, insegurança, tristeza, decepção e angústia. Os relacionamentos familiares estão constantemente em declínio e fragmentação.

No contexto profissional, o vilão é visto como figura clara do egoísmo, da desarmonia, da falta de atenção e amizade maléfica. Ele promove conluios objetivando a derrota, o fracasso e a infelicidade dos colegas de profissão. Sua atuação no ambiente de trabalho se baseia na falsidade, na apresentação oportuna de um perfil de herói visando o alcance de benefícios e benesses.

No ambiente profissional o vilão articula ações que o façam alçar voos mais altos e maiores, nos quais abrirá o cárcere da derrota, do fracasso, da infelicidade aos amigos e colegas de trabalho comprometendo a qualidade dos relacionamentos. Seus interesses são totalmente voltados para sua satisfação pessoal e profissional onde figuram o poder, o dinheiro e a fama.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Nascemos e, em princípio, crescemos no seio de uma família. E como foi dito, tomamos como modelo de perfil a figura mais próxima, que seria a de nosso pai. Nos confrontos mentais que se estabelecem o conteúdo preenchido pela carga hereditária exige que nos definamos pelo perfil de nosso pai, que nos serve de modelo, de farol orientador ou busque princípios que nos servirão de base e se constituirão em nosso perfil definitivo.

Essa escolha pode ser consciente ou não, em função de vários fatores como, por exemplo, afinidade do indivíduo com seu pai cuja personalidade é positiva (herói); na ausência do pai, o indivíduo pode ter como modelo um tio, um vizinho ou outro indivíduo cuja personalidade e presença lhe são muito representativas.

Se o perfil de nosso pai for o do herói, nossa escolha poderá muito possivelmente ser por este arquétipo positivo. Entretanto, caso o perfil de nosso pai apresente as características típicas do modelo do vilão, então seremos “fortemente tragados” por este perfil negativo. Por quê?!

O perfil do vilão é muito poderoso no sentido de despertar e atrair o interesse do indivíduo e levá-lo ao caminho de vida tortuoso e vil que lhe é característico. É lícito afirmar que o caminho da delinquência, da ausência de virtudes, é mais atraente pelo fato de ser mais fácil de ser percorrido, por ser um caminho no qual não existem regras, e caso existam são voltadas para a ilicitude. O vilão por si só não se submete as regras sociais, ele é arrogante, rude, indiferente, trapaceiro, tem seu condenável código de conduta; enquanto o herói caminha sob o jugo das leis sociais, da virtude, da caridade, do caráter ilibado, de princípios calcados na honestidade.

Embora essa seja a regra, existe a exceção. Existem indivíduos que, mesmo tendo como perfil a adotar a figura de um pai vilão, escolhem por adotar o perfil de herói (que é o meu caso). Meu pai era um homem despótico (ele não era militar), frio, ignorante, grosseiro, insensível, e eu escolhi não segui-lo. Foi uma escolha que não posso dizer consciente, mas ocorreu. Somente anos depois é que entendi o motivo de minha escolha.

Pesquisei o perfil de meus antepassados mais próximos e descobri que meu perfil-modelo foi o de meu avô paterno. Fomos contemporâneos e meu avô era um homem generoso, de boa índole, bom com os animais, carinhoso com os netos. Quando constatei a origem do perfil que adotei como modelo de herói, fiquei curioso em saber qual teria sido o perfil adotado por meu pai. Por fim, descobri que o perfil adotado por ele foi o de minha avó-paterna. Ela era uma mulher arrogante, rude, fria, grosseira e autoritária. Foi dela que meu pai escolheu adotar como modelo de perfil, no caso de vilão.

Diante de meu exemplo pessoal podemos observar que cada indivíduo adota, em princípio, o modelo de pai que lhe é mais próximo, contudo ele pode “fugir” a regra quando outros fatores preponderantes se estabelecem no momento de sua escolha definitiva.

A escolha é definitiva desde que, no decorrer da vida do indivíduo, não ocorra um novo confronto mental – que pode ocorrer em função de fatores ambientais ou mesmo interiores – no qual ele possa sentir-se confrontado com valores relevantes como a família, amigos, a sociedade ou com ele mesmo. Nesse momento, ele poderá sentir-se compelido a mudar, a adotar o perfil do herói, total ou parcialmente. Parcialmente quando não lhe for possível mudar os princípios fundamentais de sua personalidade, em vista de estarem muito arraigados e pelo longo período de vida que já lhe decorreu.

Avalie sem afetos ou piedade seu modelo de perfil. Veja se você é o herói ou vilão da sua história de vida. Se você for o vilão, saiba que nunca é tarde para mudar, para reformular sua personalidade, seus comportamentos e caráter. Ser o herói significa estar no caminho certo, no caminho de sua felicidade e de todos os que escrevem com você a sua história de vida.

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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