Por que o homem bem casado trai a esposa?

homem

Eu tive o pensamento durante muitos anos de que era bobagem recorrer à história, ao passado, para procurar entender o presente e seus acontecimentos. Realmente era um pensamento errado e antiquado. Conhecer a história passada, seus acontecimentos, causas, efeitos e desdobramentos muito nos auxilia no entendimento, reformulação e aperfeiçoamento de nossos pensamentos, comportamentos e atitudes.

Em relação ao foco do conteúdo devemos nos reportar a primeira traição do universo. Se você pensou que foi o ato deliberado de Adão e Eva comerem o fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal, não errou totalmente. Vamos esclarecer primeiro o que significa o termo traição.

Traição é um ato que se caracteriza pela falta de lealdade, pela quebra da fidelidade e a destruição da confiança. Num relacionamento a confiança é a pedra angular, ela sustenta toda a edificação da relação e serve-lhe de suporte nos momentos de tremor. Trair é deliberar no sentido de desprezar, de desrespeitar a confiança, a lealdade e a fidelidade que anteriormente existia no relacionamento.

Adão e Eva antes de traírem a Deus, desobedeceram-no, deixaram de cumprir a ordem e orientação de Deus em relação à árvore do conhecimento do bem e do mal. Trair em si é desobedecer a princípios que se estabelecem no início de uma relação, e sempre o principal deles é a confiança. Ela seria a argamassa que une os tijolos da edificação. Sem ela, eles por si só não se sustentam e a edificação rui.

E foi devido a essa desobediência que a traição entrou na maldição que nos assola até hoje: o pecado original. Traímos porque somos desobedientes em relação à preservação da confiança em todos os níveis de relacionamento. Traímos porque a essência da traição está em nossa natureza, em nossa carne, em nosso espírito. Quando escolhemos não trair, estabelece-se um (positivo) paradoxo interior, que representa a decisão de preservar, de não desobedecer ao princípio fundamental do relacionamento que é a confiança.

O homem quando contrai matrimônio adquire o título honroso de marido. Este título lhe dignifica no contexto da família e da sociedade, e o acompanhará até a lápide, desde que não cometa o maior dos pecados ou falha de caráter da natureza humana, que é a traição.

Ser marido demanda o cumprimento de deveres que são inerentes ao homem. O marido deve ser o provedor do lar, proporcionar alimentação, conforto e segurança para a esposa e filhos. Deve ser atencioso e preocupado com a integridade física e emocional de sua família, defendendo-a na eminência de perigos. Como homem deve cultivar o amor que o entrelaçou a mulher que lhe deu filhos e fazê-la feliz e realizada sexual e emocionalmente.

 

 

 

 

 

 

 

O marido bem casado é um homem que tem ao seu lado uma mulher que lhe dedica amor, carinho, atenção, compreensão, sexo, apoio emocional e tantos outros fatores essenciais no matrimônio. Tudo para fazê-lo feliz em plenitude. Ele é um homem satisfatoriamente suprido em todos os planos possíveis do casamento. Então por que o homem bem casado trai sua esposa?

Embora já tenhamos visto que a origem da traição ou ato de trair encontra-se na essência da natureza humana, existem outras razões que explicam, mas não justificam a motivação do homem para trair sua esposa.

O homem (marido) não nasce com motivação para a fidelidade. Nossa personalidade e consciência se constituem em efeitos da junção da carga genética herdada com as influências absorvidas na vivência cotidiana. Em síntese, somos produto do meio mais a carga genética que herdamos.

Não nascemos arrogantes, românticos, agressivos, e muito menos hipócritas. Estes e tantos outros comportamentos são adotados pelo ser humano por imitação ou deliberação. O livre-arbítrio nos permite ser o que desejarmos ser e nessa liberdade única da natureza humana o marido encontra motivação para trair.

 

 

 

 

 

 

 

Trair para o homem não é algo conjuntural e muito menos circunstancial. É fato tempestivo. Ele trai quando a oportunidade lhe é favorável, desde que a possível amante lhe desperte o desejo ou que alguma coisa no lar tem ou está lhe desagradando. Simples assim, mas indigno aos olhos da justiça plena.

Um dos motivos reais e concretos para o homem trair deve-se ao efeito de uma educação distorcida ao longo de sua infância e adolescência, sendo ela altamente reforçada por mentalidade machista na qual o homem não pode ser “propriedade” exclusiva de uma mulher. Infelizmente essa mentalidade ilícita e errônea existe e é perpetuada e perpetrada pelas gerações masculinas muito antes da sociedade contemporânea vir ao mundo.

É simples de entender e um pouco difícil de acreditar, mas acredite por que nasci numa época em que se findava o comportamento familiar que apresento a seguir. Muito antigamente o pai (marido) levava o filho para sua iniciação sexual em prostíbulos da zona do baixo meretrício (ZBM) a fim de bem encaminhá-lo na sexualidade e finalidade para qual nascera: procriar. Nessa oportunidade oculta, mas consentida pela esposa/mulher que ainda era oprimida por um sistema familiar patriarcal, o filho não somente tinha relações sexuais com uma prostituta, mas presenciava o pai cometer o adultério a título de ensinamento e prática educativa.

O filho por sua vez sem fatores repressivos ou limitantes memorizava que trair não era ato ilícito, mas necessário e “legal” na autoafirmação de ser homem e que o homem/marido/namorado/noivo devia e podia trair para ser considerado “macho”. Isso independentemente se a esposa, posteriormente, iria sofrer ou descobrir que esse breve ensinamento era prática contumaz do marido/protetor/provedor.

 

 

 

 

 

 

 

A evolução da sociedade aboliu essa “prática educativa” e o filho (homem) descobriu por si só que ter uma amante “não se constituía” em ato grave, ilícito e imoral. Para o homem, trair é ato relevante em sua afirmação de ser macho, segundo a mentalidade machista vigente.

Entretanto, a traição em verdade constitui-se em ato indigno, indevido, imoral e impróprio para a mulher, para a sociedade e para o próprio homem em vista que denigre seu caráter. A traição é ato que causa desgosto, sofrimento, dor e vergonha a mulher como esposa e genitora.

Com o passar das décadas, o esfacelamento do instituto do matrimônio e dos relacionamentos amorosos foi tendo como causa principal a infidelidade – cruel e injusta traição – natureza que se tornou fato comum, corriqueira, praticada veementemente por pais, filhos, irmãos, namorados, noivos, tios e todo tipo de homem que se possa imaginar. Minha mãe e minha irmã foram traídas por seus maridos.

Muito embora a prática de trair tenha como origem o pecado original e tenha ao longo das décadas se enraizado no pensamento e conduta masculina, ela poderia ser revertida se nos momentos atuais o pai, mãe, a estrutura midiática, as instituições, estabelecimentos escolares e a sociedade como um todo difundissem a ideia que trair matrimonialmente é algo errado, é fato vergonhoso e indigno para um homem, para sua família e toda a sociedade. Se nas escolas e universidades fosse ensinado, orientado que essa prática, essa mentalidade – de trair a esposa – é algo impróprio e indevido, as novas gerações masculinas certamente iriam mudar seu comportamento infiel, indigno e leviano.

Mas essa “utopia” aqui apresentada possivelmente continuará no plano da fantasia por sermos uma sociedade masculinizada e machista, apesar da constante evolução que vivenciamos. O homem por si só não se compadece do sofrimento da mulher que o ama por efeito de sua infidelidade. Ele até se locupleta com esse ato injusto e indigno.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Eu me pergunto algumas vezes por que a sociedade, o próprio homem despreza “feridas” como esta, tão profundas e tão devastadoras em sua natureza, em seu viver. Feridas que destroem, que arruínam seu anseio de felicidade, desejo incansável que ele e a mulher manifestam constantemente. Seria mais fácil “atacar” com medidas educativas e preventivas, como as apresentadas acima, o instituto da traição. Milhares de famílias e jovens não sofreriam tanto com os efeitos devastadores desse ato vil.

Há necessidade de mudar a maneira como o homem pensa e é educado em relação ao instituto do matrimônio, da família. Na própria família, que é a célula formadora de valores e comportamentos, ele deve ser ensinado que, como marido, tem a responsabilidade de ser um exemplo não somente na função de provedor/protetor, mas de pessoa leal à mulher que desposou, fiel à mulher que escolheu para amar verdadeiramente e ter filhos.

Sem hipocrisias, se você é homem reflita seriamente sobre isso. Se você deseja a felicidade de seu filho (tanto homem como mulher) pense no esfacelamento do casamento dele por traição cometida, ato ilícito e indigno que causará dor e sofrimento à esposa e aos seus netos, e por propagação a você e sua família.

Se você concorda que essa mentalidade deve mudar, começa desde já a conversar, a instruir seus filhos que traição é algo ruim sobre todos os aspectos possíveis. Você sendo ou não católico ou evangélico explique-lhe a traição sofrida por Jesus Cristo e suas consequências, ou use outro exemplo real de traição. Se você é ateu, diga-lhe a traição sofrida pelos povos que acreditaram em seus chefes ditadores, homens que queriam se autoafirmar como homens poderosos e heróis da pátria.

Se você é mulher, vítima na maioria das vezes desse ato cruel fale com seu filho pequeno, ensine-o sobre o sofrimento e dor causados a uma mulher quando o marido a trai amorosamente. Fale para ele que um homem não precisa trair a esposa para ser considerado homem, mas deve sim ser correto, corajoso, responsável, leal à família e aos amigos. Diga-lhe que traição é algo ruim sob todos os aspectos possíveis. Apresente-lhe o exemplo de Jesus Cristo ou outro que lhe for mais fácil, mas não deixe de lhe apresentar algo concreto que o motive a mudar, a não seguir a “onda” perniciosa.

A mudança é ação dolorosa, cansativa e que nos exige paciência e perseverança, porém devemos mudar essa mentalidade machista para que o matrimônio e a família, por propagação, não cheguem à falência, disseminando a dor e sofrimento em toda a sociedade.

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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