Sou mulher, mas inferior nunca!

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Inferior. Quando a mulher pode ser considerada inferior perante o homem? Não sou feminista, mas sou um cidadão a favor das mulheres. Segundo uma visão religiosa a mulher foi criada de uma das costelas do homem. Partindo-se dessa premissa é lícito afirmar que ela foi criada para andar ao lado do homem e não atrás dele – em situação secundária ou inferior.

Embora eu tenha pesquisado com dedicação não consegui encontrar exatamente desde quando a mulher é vista e tratada como ser inferior, ou seja, sem a devida igualdade política, social e econômica que ela faz jus em vista que surgiu de um dos lados do homem e não de suas costas ou sob seus pés.

Segundo teorias que convergem entre si podemos afirmar que desde épocas anteriores a Jesus Cristo a mulher é vista como ser inferior, sendo rudemente tratada como serviçal, bode expiatório da violência doméstica, e ainda na condição de objeto (prostituta) em muitas oportunidades.

A mulher não é ser inferior, ideologicamente nunca foi, porém essa afirmativa não retrata a realidade histórica feminina ao longo dos tempos.

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A Emancipação Feminina

A partir da década de 20, o feminismo passou a adquirir forte solidez no contexto da sociedade. A mulher passou a deixar lentamente sua condição inferior, longe da ideal, para enveredar em sua escalada de igualdade. Sua ascensão passou a ocorrer, embora mais lenta do que se deseja e que deveria.

Com o evento da Primeira Guerra Mundial os homens foram compelidos a deixar seus cargos e funções e ir para a guerra. As mulheres da classe média e alta (mais instruídas e suscetíveis a mudanças) assumiram suas funções. Estas mulheres pioneiras passaram a gozar de liberdade de ação e conheceram um mundo de poder no qual saborearam as benesses do domínio e da glória.

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Elas atuaram em praticamente todos os setores da atividade social e econômica, desempenhando desde atividades pesadas nas fábricas até à gestão e direção de empresas. Mas com o término do conflito e retorno dos homens ocorreu um choque de realidade.

As mulheres não quiseram retornar à dependência econômica e nem a condição inferior anteriormente estabelecida. Porém, somente a partir do século XIX o movimento feminista começou a se articular e adquirir grandeza. As mulheres passaram a reivindicar os mesmos direitos jurídicos dos homens (gestão do patrimônio, valorização do trabalho e direito à educação).

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A Mulher Ainda é Ser Inferior nos Dias Atuais?

A mulher tem lutado arduamente por sua igualdade no contexto social, contudo por mais que seus esforços sejam extremados e seu número quantitativo crescente sobre a face da Terra infelizmente seus progressos não são tão significativos como ela merece na prática.

Vou citar apenas alguns exemplos, dentre vários, que demonstram que a mulher ainda é vista e tratada como ser inferior. No Rio Grande do Sul ainda persiste a hierarquização nas relações interpessoais. A mulher ainda é chamada de prenda, uma clara alusão a sua condição inferior, menos nobre, serviçal.

A dificuldade de se criar políticas públicas que aliviem a carga social e funcional da mulher, livrando-a do estigma de ser inferior, bem como lhe concedendo benefícios que a dignifiquem é real, é fato devido à baixa representatividade feminina nos Poderes Executivo e Legislativo.

Em contraste com fato citado acima, que tem caráter amplo e nacional, a presença feminina é veemente no plano político do Rio Grande do Sul, tanto que é expressiva a ação feminina no combate à violência doméstica. Por ações efetivas da Secretaria das Mulheres do RS criou-se a Patrulha Maria da Penha, denominação alusiva à lei contra a violência doméstica focada nas mulheres.

A Patrulha Maria da Penha reduziu a zero o descumprimento das medidas judiciais protetivas estipuladas. Ações policiais mais efetivas passaram a impedir que agressores (maridos, ex-maridos, namorados e ex-namorados) afastados de mulheres por medida judicial voltassem para matá-las.

Segundo estatísticas daquele Estado em torno de 75% das mulheres morrem simplesmente porque nasceram mulheres. É fato lamentável a mulher ser vista como ser inferior, indefeso e viver sob essa tensão social.

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A ação consistente mais triste e lastimável neste universo feminino é que ainda existe uma parcela de mulheres ainda mais oprimida, mais sofredora que são as mulheres negras. Voltando ao cenário rio-grandense, para quem já viveu lá como eu por quase onze anos e tem um senso de observação mais voltado para as relações interpessoais poderá ver mulheres negras sendo tratadas como inferior no mercado de trabalho e na informalidade empregatícia.

Jussara (nome fictício para um caso real) é moradora de um bairro classe média alta em Porto Alegre, sendo que sua família é a única família negra da rua, fato ainda anormal nos dias de hoje. Jussara sofre continua e emocionalmente quando o carteiro lhe pergunta se a patroa não está para receber a encomenda ou quando confundem seu marido – advogado proeminente – quando em terapia com o zelador cuidando do jardim do prédio devido a sua cor e atitude.

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No Sul do Brasil verifica-se que mulheres brancas tem rendimento duas vezes maior que as negras num claro e desumano contraste no universo feminino, deixando exposta a ferida daquela ainda vista como ser inferior.

Ainda no Sul o acesso e ascensão no mercado de trabalho são difíceis para a mulher negra. As empresas de RH criaram um perverso mecanismo de seleção no qual assinalam na ficha que o candidato é negro em vista que é proibida a referência “boa aparência” em qualquer anúncio de emprego.

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Benefícios que as Mulheres Adquirem com sua Independência

Por outro lado, as mulheres brilhantemente não desistiram da mudança, da igualdade almejada. Estudar, conquistar um diploma e depois ingressar no mercado de trabalho se tornou uma realidade para milhões de mulheres no país.

Esse “caminho de carreira” se tornou trivial, tanto que muitas trabalham em serviços domésticos ou de manutenção predial e hospitalar durante o dia para à noite estudar arduamente pela conquista de um diploma do ensino superior. Estas buscam a ascensão numa carreira que lhes proporcione elevar expressivamente seu poder aquisitivo. São ações individuais demonstram que a luta das mulheres para deixarem de ser vistas e tratadas como ser inferior deve ser contínua e perseverante. A ação é individual, contudo o efeito será coletivo.

Você – mulher – não deve desistir de crescer, de buscar sua independência. Não se comprometa com a dor, seja emocional ou física decorrente da violência doméstica.

Não permita que um homem lhe faça de saco de pancadas devido ao consumo frequente de álcool ou drogas ilícitas ou por desequilíbrio emocional. Não permita que o agressor pratique a agressão emocional que lhe deixará marcas não visíveis em seu corpo, mas sim em sua mente e alma.

Não viva numa casa onde aquele que devia amá-la e respeitá-la é quem a agride e faz sofrer. Busque seu espaço, sua liberdade de escolha e sua realização pessoal e profissional.

O livre-arbítrio (direito de ir e vir e escolher) lhe é concedido desde o nascimento e com esta condição você pode escolher ser uma pessoa feliz e realizada. Ser feliz é uma opção que depende somente de você.

Seja uma mulher com “M” maiúsculo, de maior, de independente e capaz emocional e financeiramente. Abandone de uma vez por todas o estigma de ser inferior. Lute por seus direitos.

Seja mulher, mas inferior nunca!

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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