Conheça a tomografia da infidelidade

infidelidade

Meet the tomography of infidelity

A infidelidade é a cena de um crime conhecido por traição. Ela é o contexto de um dos maiores males que a humanidade pode cometer. Ser infiel, praticar a infidelidade, é trair a confiança de alguém, é entregar-se à mentira, embriagar-se dela e, sem controle de seus sentidos e juízo, ferir profundamente o coração de outra pessoa.

Infelizmente, a infidelidade é parte integrante de nosso DNA. Segundo estudos, a sua origem encontra-se num dos livros mais antigos do mundo, aquele que guarda a Palavra de Deus e de seu filho Jesus Cristo – a Bíblia Sagrada.

A Bíblia, em síntese, se constitui de três essências fundamentais que são o amor, a obediência e a justiça. A infidelidade se encontra no âmbito da essência da obediência. Ela representa em si uma desobediência, ou seja, é um desrespeito aos mandamentos de Deus que estão presentes em sua Palavra. Não praticamos a infidelidade por que desobedecemos, mas em verdade por desobedecermos é que praticamos a infidelidade.

Ser infiel é trair a confiança que depositam em nós. É fazer sangrar o coração daquela pessoa que acreditou que podia contar conosco incondicionalmente numa situação, deixando-a decepcionada ou refém de um perigo. Adão e Eva foram os perpetradores da primeira infidelidade: traíram a confiança de Deus desobedecendo a sua ordem de não comer da árvore da ciência do bem e do mal, porque se a comessem iriam morrer, e por infidelidade (desobediência) foram banidos do Jardim do Éden e morreram.

 

 

 

 

 

 

 

A tomografia é um exame radiológico no qual o processo usado permite a obtenção de imagens transversais de órgãos, ossos e outras partes do organismo humano. Pouco realmente se sabe sobre as entranhas da infidelidade. Para conhecermos mais profundamente esse mal que nos acompanha desde que saímos do Paraíso é necessário dissecar sua natureza.

Em pesquisas realizadas foi revelado – para a surpresa de todos – que tecnicamente homens e mulheres se equiparam no cometimento da infidelidade em seus relacionamentos, tanto em períodos passados como na vigência dos mesmos. Foram levantados que 56,1 % dos homens são infiéis contra 50,9% das mulheres, ou seja, podemos afirmar por estas porcentagens que não há distinção relevante entre os gêneros.

Esse dado é alarmante no sentido que percebemos que homens e mulheres, embora se justifiquem em causas que serão apresentadas adiante, ainda cedem às pressões sociais, emocionais e psicológicas em suas vidas, abrindo espaço e tempo para o cometimento da infidelidade.

 

 

 

 

 

 

 

As pesquisas dividiram em três planos os motivos que fomentam a infidelidade. Seria o plano pessoal, conjugal e o contextual. Veja cada um deles a seguir:

Plano pessoal:

– Carência afetiva, solidão e insegurança;

– Características pessoais;

– Necessidade sexual;

– Desejo ou atração física;

– Busca de liberdade, aventura e de valorização pessoal;

– Envolvimento emocional;

– Crenças e regras sociais.

Plano conjugal:

– Vingança, raiva ou hostilidade;

– Insatisfação com o companheiro ou com o andamento da relação;

– Insatisfação sexual.

Plano contextual:

– Uso de álcool;

– Fuga de problemas;

– Oportunidade de trair;

– Estresse.

Associados a estes dados foram levantados também os fatores que estimulam a infidelidade (por prioridade):

Nas mulheres que já traíram:

– Interesse/desejo;

– Atração;

– Sexo;

– Carinho;

– Atenção.

Nos homens que já traíram:

– Sexo;

– Atração;

– Interesse/desejo;

– Carinho;

– Amizade.

Nota-se que divergem os fatores que estimulam os gêneros à infidelidade. A causa seria o fato de a infidelidade ser um comportamento essencialmente egoísta. Ação ou comportamento que as pessoas fazem por vaidade. Cometem-na devido à atração exercida pela experiência que ela pode proporcionar ao ser vivenciada, para terem seu ego valorizado, para se sentirem desejadas. Essa premissa é fundamental para que se entenda o papel do parceiro no contexto da infidelidade. Em certos casos ele é nulo, não tem qualquer influência sobre a perpetração da transgressão.

Essa visão tem coerência quando analisadas as razões que levam uma das partes a trair. Embora as pesquisas tenham levantado que a parcela de mulheres que trai por estarem insatisfeitas com o parceiro/cônjuge ou com a relação em si seja significativamente maior do que a dos homens – 29,9% contra 14,5% – se somados os motivos mais frequentes tanto para eles como para elas, são fatores pessoais que levam à infidelidade e não os relacionados ao parceiro/cônjuge.

 

 

 

 

 

 

 

Pelo fato de terem conceitos diferentes da infidelidade homens e mulheres traem de formas distintas. Para a mulher a infidelidade é algo de natureza complexa, não é algo matemático, claro, evidente, mas sim uma “nuvem acinzentada” no caminho da felicidade.

A lista de fatores que estimulam a infidelidade na mulher evidencia que ela, quando trai, costuma normalmente ser com alguém que tem alguma intimidade, que ela já conhece com relativa regularidade. Daí ser mais propício a mulher trair com colegas de trabalho, indivíduos que frequentam a mesma academia de musculação ou dança.

O período em que ocorre a primeira traição ou única ocorre regularmente no início do relacionamento (no primeiro ano), quando a paixão ainda não gerou o amor ou pelo fato de ainda estar imaturo o relacionamento. Entretanto, há um período mais crítico que este segundo as pesquisas, que é entre o segundo e quinto ano de relacionamento.

Segundo especialistas esse contraste se deve pela queda acentuada na paixão entre o casal, que é algo considerado natural. Após esse período, a possibilidade de ocorrer a infidelidade se reduz consideravelmente, entre o sexto e o décimo ano (13,7%), e entre o décimo e o décimo quinto ano (9,3%), e de 11% a partir do décimo quinto ano.

Há outro fato levantado nas pesquisas que pode predispor à infidelidade, que seria a chegada de um terceiro indivíduo ao seio da família: o filho. A presença de filhos no relacionamento é um ponto de potencial conflito entre o casal, porque eles podem influenciar significativamente os níveis de intimidade entre o pai e a mãe.

Outro fator relevante e estimulador à traição é o sentimento de que, o casal mesmo estando insatisfeito com a relação, pai e mãe precisam continuar casados para o bem-estar dos filhos. Logo, os filhos não são necessariamente a causa da traição, mas a razão de o casamento se manter.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Embora os filhos não sejam a causa para a infidelidade, eles contribuem parcial e potencialmente para a possível quebra dos níveis de intimidade entre os pais. Para se evitar isso ou minimizar a ação desse fator, o casal deve-se ao longo da gravidez se esforçar para manter sua rotina amorosa, ou seja, manter sua intimidade sexual, para que não deixem de se ver como macho e fêmea e para o bebê sentir o afeto que sua mãe sempre sentiu.

Após o nascimento mais cuidados devem ser tomados nesse sentido. O casal não deve se distanciar, fato que ocorre muitas vezes. O homem julga que o filho é um óbice entre ele e a mulher/mãe e com esse pensamento errôneo afasta-se dela. Essa ação provoca um vazio existencial nos sentimentos da mulher, podendo levá-la à depressão pós-parto, doença que possui seus níveis de gravidade. Nesse período após o nascimento, o casal deve se conscientizar que continuam a ser homem e mulher e não permitir a queda nos níveis de amor, afeto, carinho e atenção.

Outro período crítico a ser administrado com muito cuidado pelo casal é o período da adolescência dos filhos, quando inconscientemente os pais passam a competir com eles. Esse competir se estabelece no plano da memória pessoal, na qual o testemunhar dos pais em relação ao despertar da sexualidade dos filhos leva-os a desejar vivenciar – novamente – momentos de paixão avassaladora que se perderam no tempo e espaço de suas vidas. Ressurge a faísca da paixão juvenil e eles passam a desejar a viver isso de novo.

Como ações e medidas preventivas à infidelidade, o melhor a fazer é que cada um reflita e partilhe suas necessidades mentais e sexuais com seu cônjuge/parceiro. A atenção e compreensão são fundamentais para que as “garras da traição” se mantenham afastadas do seio da relação. Não ignore os desejos e fantasias de seu cônjuge/parceiro, ouça-o, procure compreendê-lo. É importante ressaltar que cada um tem seu modo de ver o sexo e de se sentir estimulado. A atenção e compreensão nestes momentos se constituirão em fator primordial para que se evite ou estimule a infidelidade.

Nos casos da traição se efetivar ou ser descoberta, vale a pena tentar o diálogo. Ela não representa necessariamente o fim da relação ou matrimônio, por mais dolorosa que seja. O casal deve se despojar de rancores e emoções e tentar avaliar, sem condenações, onde foi que erraram e tentar novamente. O diálogo é e sempre será o melhor mais saudável caminho a trilhar. Terminar um relacionamento por impulso pode ser no futuro considerada uma decisão muito precipitada e desastrosa e que pode provocar um grande arrependimento.

Vale a pena uma tentativa de superar esse percalço num relacionamento em vista que todos nós temos fraquezas e que devemos compreendê-las. A infidelidade é traumática e como trauma pode ser superada. É logico que cada caso é um caso, em função das peculiaridades da relação, das personalidades e circunstâncias que envolveram a infidelidade.

 

 

 

 

 

 

 

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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