Dicas de como lidar com a (sua) inveja (e a dos outros)

inveja

Aqui digo a verdade, inclusive incluindo-me nela, por mais dolorosa e corrosiva que ela possa ser. Mesmo não tendo e não cultuando a inveja, admito que quando muito jovem fui seduzido por seu ardor profundo e inquietante em alguns momentos. Quem em sua vida não foi seduzido ou se deixou seduzir pela inveja? Porém não demorei a descobrir silenciosamente em meu coração que aquilo que pertence ao outro, por ele foi conquistado com esforço, dedicação e perseverança, e como tal, Deus lhe concedeu como graça, quando nem sempre e necessariamente seria merecedor. Mas ele assim o conquistou.

Por fim, acabei descobrindo que conquistar as coisas pelo próprio esforço e mérito significa entre outros valores, superar-se, acreditar acima de tudo em si mesmo e enfrentar todos “contras” que possam existir para a conquista do valor ou objeto. Saliento nesse meu pensamento: Conquistar, obter, de maneira justa e leal para com todos.

Por que sentimos inveja de alguém?

Por que esse sentimento é despertado em nós devido a uma conquista ou bem pertencente à outra pessoa?

Por que se sofre com a inveja e porque ela tem forte representatividade em nossa consciência?

Sem mais delongas, o que é a inveja? Como podemos defini-la de maneira clara e inteligível? Bom, sintetizando vários conceitos e ideias, é lícito afirmar que a inveja é um sentimento caracterizado pelo desejo, momentâneo ou constante, controlado ou irrefreável, de possuir um valor, qualidade ou bem que pertence a outra pessoa.

Ela é um sentimento de inferioridade e de desgosto que se enfrenta diante da felicidade e alegria do outro. É um sentimento de cobiça da riqueza, do brilho e da prosperidade alheia. A inveja é o desejo constante que algumas pessoas sentem ao almejar a todo custo às conquistas da vida alheia, é desejar o que o outro possui ou realiza.

Ela está intimamente ligada ao ciúme, no momento que produz desgosto ou tormento ao indivíduo que almeja possuir algo que pertence a outro indivíduo. Sentir inveja de um indivíduo para muitas pessoas é fato e sensação que ocorre normalmente de forma inconsciente, ou seja, não se percebe com clareza que esse sentimento controverso dominou-lhe os sentidos e as sensações.

Ela provoca a sensação dolorosa e muitas vezes angustiante de desgosto pela prosperidade ou sucesso alheio. Quando se está diante de alguém seja um amigo, pessoa recém-conhecida ou mesmo um desconhecido que se tem contato, em função da manifestação de valor, qualidade ou bem desejável ou meritório esse sentimento primitivo pode surgir, de maneira suave ou severa.

A origem desse baixo sentimento remonta ao limiar da vida de todo ser humano. Ela, como outros sentimentos, habita o rol dos sentimentos dominados pelo protocolo do complexo mental – as aquisições e perdas.

Por seu despertar abrupto e inconsciente, esse sentimento de inferioridade e desgosto origina-se na formação da consciência e personalidade do ser humano. Quando ocorre o desmame, o bebê experimenta sua primeira perda: a falta do alimento, o bem que lhe proporciona prazer e satisfação, e que também o mantém em contato com o corpo que o abrigou e protegeu por nove meses do mundo: sua mãe. O desmame para o bebê é uma perda muito significativa porque, antes tanto o mantinha afastado da dor da fome, como também o mantinha em contato frequente com o seio da mãe, e consequentemente, com seu amor, carinho e atenção. Essa perda faz surgir a intolerância, o bebê fica com ódio de o ser que lhe nega o alimento. Aí nasce a primeira raiz da árvore da inveja: a mãe possui o bem que ele deseja e não deliberadamente passa a negá-lo devido ao crescimento e outros fatores.

A inveja quando se torna uma sensação indomável de possuir o que pertence à outra pessoa avança no contexto do ódio. O invejoso por desejar possuir o valor, qualidade ou bem do invejado perde o discernimento e começa a promover todo tipo de sabotagem que lhe é possível para conseguir o objeto de sua obsessão, ou caso não consiga, para ver o invejado em declínio ou sofrimento manifesto. É a metamorfose da inveja no ódio.

Quanto ao caráter momentâneo ou constante desse sentimento entenda-se que significa que, em função da capacidade do indivíduo lidar com a prosperidade e o sucesso alheio, ele poderá conscientizar-se que a inveja surgida não deve evoluir em vista que se sente capaz de também conseguir semelhante prosperidade e sucesso por sua capacidade, ou então poderá sucumbir ao poder do sentimento primitivo e voraz.

Quanto à natureza refreável ou não, deve-se entender que, da mesma forma, o indivíduo percebendo o surgimento da inveja não perca o foco de seus objetivos anteriores e não ceda ao desejo de possuir o valor alheio. Ele deve conscientizar-se que a inveja despertada deve servir-lhe de estímulo e não de rendição ao ódio e à sabotagem.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Saber lidar com a inveja não é algo tão simples. Exige sensibilidade, percepção e foco. Deve-se atentar para sua manifestação e agir de imediato, com rapidez, eliminando seu poder sobre a consciência e o próprio comportamento. A seguir algumas dicas relevantes para você saber como lidar com a sua inveja e a dos outros, afinal também somos alvos dela, quando por parte dos demais indivíduos:

 1ª) Para lidar com suas próprias fraquezas, você deve reconhecê-las na própria consciência e impor-se ao meio, afirmando seus direitos, opiniões e desejos, não se submetendo a dor ou agonia advindas da inveja.

Entenda que se você não for capaz de superar os obstáculos que surgirem dentro ou fora de você é porque eles fazem parte de sua natureza ou história de vida, e que você deverá saber conviver com eles, sabendo administrá-los e bani-los, se possível, do caminho de sua felicidade.

2ª) Para superar, amenizar ou eliminar sua inveja, fato este que depende muito de seu autoconhecimento e determinação interior, você deverá exercitar seu autodomínio, ou seja, controlar seu desgosto, sua decepção ou agressividade em relação aquilo que não alcançou ou não superou.

Para tanto, busque reconhecer seus valores positivos, suas virtudes maiores e procure maximizá-las, visando o alcance de sua felicidade e realização pessoais. Então você pode dizer: “Ah, mas eu não tenho qualidades…”. Isso não é verdade. Possivelmente você não quer reconhecê-las ou não lhes dá o devido valor. Reflita, se autoanalise e encontrarás seus bons e valiosos valores. Não se deixe envolver pela opinião e olhar alheios. Se valorize!

3ª) Quando se perceber invejoso, não deixe a semente do rancor, do ódio ou vingança dominar seus instintos. Respire fundo e procure entender que somos todos únicos e, por conseguinte, diferentes, com suas possibilidades e limitações.

Se, por exemplo, Maria é magra e Glória gorda, possivelmente durante o sexo Maria não será tão carinhosa como Glória, em vista que Glória sabe que a maioria dos homens gosta de um carinho durante e após o sexo, e Maria, por se achar “sedutora” devido a sua magreza, acredita não ser necessário dar carinho ao parceiro. O amor é uma relação de troca.

4ª) Quando invejado, procure não se deixar abalar pela presença ou atitude do invejoso. Ele certamente tentará sabotar sua vida no sentido de ter uma compensação. Se você ceder ao seu anseio, ele sairá vitorioso e você se tornará um perdedor.

Trabalhe seu autoconhecimento que consiste em ter conhecimento próprio de si, de suas características, possibilidades e limitações, sentimentos e imperfeições de modo a se firmar e não se desviar de seus objetivos e da felicidade merecida.

5ª) A inveja, em linhas gerais, é a significativa baixa autoestima, de perseverança e de devoção a si mesmo. Primeiro identifique suas fraquezas e limitações, reconheça sua realidade física e mental. Depois estimule sua autoestima, trabalhando-a de maneira segmentada, aos poucos, objetivando minimizar suas fraquezas e potencializar virtudes, tornando mais fortes e evidentes. Todos são capazes e você pertence a esse universo!

Se você for homem ou mulher dedique-se à manutenção de seu corpo e de sua saúde, leia sempre que puder, procure meditar, planeje suas ações, durma as horas de sono necessárias, faça reformulações em seu comportamento e estilo de vida, almeje novos e alcançáveis objetivos. Não perca o foco com o sucesso alheio.

Certamente a inveja alheia encontrará uma aura refratária em você e logo procurará outra personalidade que demonstre fraqueza e falta de motivação.

Vontade, foco e perseverança! Boa sorte!

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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