Menopausa: A importância do homem nessa fase da mulher

menopausa

Em outro conteúdo publiquei teor relativo à puberdade, que é a primeira das fases relevantes ou ritos de passagens pelos quais muito marcam a vida de uma mulher. A menopausa e a puberdade têm em comum o fato que ambas provocarem mudanças significativas na mulher, tanto no plano físico como orgânico.

A menopausa é um período fisiológico muito importante para a mulher, bem como a puberdade, por que como esta, também lhe traz transformações orgânicas e psicológicas que muito podem comprometer o destino e o ritmo de sua vida em diante.

O que não se harmoniza no contexto da relação interpessoal entre o homem e a mulher é o alheamento do homem em relação aos percalços que a mulher passa tanto durante a puberdade como a menopausa. São ritos de passagem diferentes e em épocas diferentes. Num a mulher é muito jovem, imatura para as “tempestades da vida”, em outro, ela já esta bem mais amadurecida, já viveu praticamente mais da metade de sua existência, porém suas inseguranças e temores não são menores dos que aqueles que vivenciou em sua juventude.

Pode parecer preciosismo a minha abordagem, porém é muito preocupante e importante o fato do homem não perceber que sua presença e atuação durante a menopausa de uma mulher pode torná-la mais amena e menos dolorosa, ou mais severa e mais angustiante.

 

 

 

 

 

 

 

A menopausa é o período fisiológico após a última menstruação espontânea da mulher. Nesse espaço de tempo estão sendo encerrados os ciclos menstruais e ovulatórios. O início da menopausa só pode ser considerado após um ano do último fluxo menstrual, uma vez que, durante esse intervalo, a mulher ainda pode, ocasionalmente, menstruar.

Mas antes de se constatar e decretar o estabelecimento da menopausa ocorre um período de transição denominado de climatério. O climatério é um período no qual a mulher passa da fase reprodutiva para a não reprodutiva. A produção dos hormônios estrogênio e progesterona vai diminuindo, de forma lenta e gradativa.

O climatério marca o momento em que as mulheres perdem massa óssea, estrogênios e ganham mais massa gorda. O estrogênio ou estrógeno é o hormônio produzido pelo óvulo e responsável por modular o endométrio (é um tecido que reveste toda a parede interna do útero e a sua espessura varia ao longo do ciclo menstrual como resposta aos hormônios estrogênio e progesterona na corrente sanguínea).

A falta do estrogênio é o que causa o comumente calor abrasivo nas mulheres e não comum às outras pessoas. Sua falta provoca a perda de massa óssea, capaz de promover o risco de surgir a osteoporose.

Essa redução hormonal provoca algumas mudanças no corpo feminino, indicando a chegada da menopausa. A menopausa é o ápice do climatério. A intensidade ou a duração do fluxo menstrual modifica-se, tendendo a ficar mais espaçada, até parar.

Não há uma data certa para a menopausa ocorrer, no entanto há um indicativo para saber se a mulher está no climatério. O principal sintoma é a escassez da menstruação.

A menopausa varia de mulher para mulher, em vista que fica difícil determinar-se uma idade exata para a sua ocorrência. Em média, ela ocorre entre os 45 e 55 anos de idade da mulher. Quando ela se estabelece após os 55 anos, é intitulada menopausa tardia.

A menopausa também pode acontecer antes do citado período no parágrafo anterior, de forma espontânea ou cirúrgica – sendo neste caso chamada de menopausa precoce. A menopausa cirúrgica ocorre após a retirada dos ovários ou do útero.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É em função dos principais sintomas da menopausa que derivam os efeitos que vão influenciar a relação interpessoal entre o homem e a mulher, sendo que esta pode ser sua mãe, mulher, filha, amiga, colega de trabalho, etc. Torna-se fundamental que o homem conheça e seja instruído e orientado como deve proceder junto a qualquer uma dessas figuras femininas presentes na família durante essa fase de suas vidas. Vejamos quais são os sintomas da menopausa:

– Ausência da menstruação;

– Ressecamento vaginal (secura);

– Ondas de calor;

– Suores noturnos;

– Insônia;

– Diminuição no desejo sexual;

– Diminuição da atenção e memória;

– Perda de massa óssea (osteoporose);

– Aumento do risco cardiovascular;

– Alterações na distribuição da gordura corporal;

– Queda na autoestima e consequente depressão;

– Devido à redução do metabolismo ocasionado pela idade, pode haver um ganho de peso, aumento do nível do colesterol e, consequentemente, da pressão arterial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em decorrência de cada um dos sintomas acima apresentados, a mulher tem modificações em seu comportamento e na sua forma de pensar em relação a si mesma, ao relacionamento que vive e em relação ao homem que está a seu lado, convivendo consigo o seu dia-a-dia.

Esse homem, em qualquer dos planos em que figuram as mulheres de sua família, deveria dar o suporte psicológico e físico necessários para a superação dessa fase da mulher repleta de desafios. Por desconhecimento que se arrasta por gerações, o homem torna-se um óbice, uma dificuldade a mais nesta fase conturbada da vida da mulher. De objeto de apoio, de amparo, ele se torna em mais um algoz, mais um fardo no coração e na consciência da (s) mulher (es) que orbita (m) em sua vida.

A ausência de menstruação para a mulher é um fato que lhe é muito impactante. Essa decretação em seu corpo e em sua mente é um impacto psicológico forte, profundo, semelhante ao ato de arremessá-la num abismo, como se fosse um ser descartado pela humanidade em vista que perdeu sua serventia, sua função precípua. É necessário que o homem que esta junto a ela saiba que essa ausência significa uma de suas grandes perdas, uma perda de si mesma, de sua capacidade maior, que a torna tão benquista aos olhos do mundo e da natureza.

Ressecamento vaginal, ou seja, a secura que a mulher passa sentir em vista da ausência de lubrificação vaginal, bem como a diminuição de seu desejo sexual, contribuem fortemente para a queda de sua autoestima, de sua visão de ser importante para o homem como mulher, como fêmea, como ser desejável por ele. O homem por desconhecer, em sua maioria, os efeitos fisiológicos da menopausa adota uma atitude machista, de macho alfa, que julga incompassivo a situação vivida pela mulher, e passa a taxá-la de fria, “insossa”, que não “mais lhe serve”.

Esse pensamento e postura masculina é totalmente inadequado, cruel e desumano para com a mulher. A sociedade, as religiões e as culturas devem ser reformuladas no sentido que o homem passe a ter conhecimento sobre as peculiaridades dessa fase tão difícil para mulher e a ajude a superá-la com mais confiança, apoio e serenidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ondas de calor, suores noturnos e a insônia formam um quadro de ansiedade e desconforto que muito degradam a qualidade de vida e autoestima da mulher na menopausa. Ela, conscientemente ou não, passa a ver diante do espelho uma mulher que lhe é desconhecida, que já não goza da mesma saúde de anos anteriores, que aparenta estar sempre cansada, como se a vida chegasse ao fim, como se o seu fim estivesse próximo. Estes são efeitos psicológicos vivenciados pela mulher, além dos efeitos fisiológicos.

O homem conhecedor desses efeitos deve ter paciência e perseverança com essa mulher. Deve tentar amenizar seja verbalmente, através de diálogos recorrentes visando manifestar apoio e segurança a ela, seja fisicamente, concedendo-lhe carinho, atenção e amor.

A queda no nível de atenção e memória converge para a queda na autoestima da mulher e sua valorização pelo homem. A queda na autoestima abre caminho, em níveis muito particulares, a estados depressivos (fases de melancolia e tristeza) e a depressão propriamente dita.

O homem quando ciente desse sintoma deve mais uma vez valorizar sua paciência e compreensão em relação à mulher que tem diante de si. A própria mulher se irrita com sua perda de memória e atenção, fato que a leva a dar a ignição a conflitos que poderiam ser plenamente evitados se o homem procurasse não alimentar algo que ele sabe que não se constitui em escolha da mulher ou em pura exasperação de sua parte.

O homem deve, acima de tudo, entender que as reações e atitudes da mulher nessa fase não são escolhas, mas sim imposições orgânicas e efeitos de ordem psicológica.

 

 

 

 

 

 

 

A perda de massa óssea, causadora de osteoporose, e o aumento do risco cardiovascular são fatores que obrigatoriamente aportam psicologicamente na consciência da mulher quando ela fica consciente que está na fase da menopausa. Esses aspectos que declinam a qualidade de vida da mulher e colocam-na num plano de ansiedade, em vista que sua longevidade pode ser encurtada de maneira rápida e inopinada, levam-na a cair em estados depressivos e na depressão, devido a falsa iminência de morrer.

O homem informado desses sintomas e efeitos deve ser paciente, compreensivo e atuar com base no amor, no carinho e adotar uma atitude de apoio. O temor em morrer em decorrência de um infarto deixa mulher em estado de sobressalto, envolta em uma ansiedade veemente e constante, fato que contribui para o aumento de sua tensão emocional e, em alguns casos, aumento de sua pressão arterial.

A redução do metabolismo ocasionado pela idade provoca um ganho de peso à mulher. Engordar, para qualquer mulher é motivo de preocupação, de desconforto psicológico e físico. Ela se conscientiza que seu poder de sedução se reduziu, que sua beleza também decaiu, que segundo seu médico pode ter ocorrido aumento do nível do colesterol e, consequentemente, da pressão arterial. Logo, a mulher tem sua autoestima em declínio e sua consciência se abre à depressão.

O homem deve incentivá-la à prática esportiva, a frequentar uma academia de musculação e participar com ela desse esforço, com o objetivo de incentivá-la, de motivá-la nesta fase tão desanimadora, e não humilhá-la com frases: “Hummm como você está engordando…”, ou “Você está comendo demais… as roupas daqui a pouco não servem mais em você…”. Esse tipo de comportamento somente levará essa mulher as correntes da ansiedade e do sofrimento espiritual.

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Com sintomas tão abrangentes, que vão de ondas de calor a depressão – não é à toa que tantos problemas envolvam a menopausa – ela se constitui numa transição difícil, tão quanto a puberdade na vida de todas as mulheres.

O homem deve ser informado desde os primeiros momentos de sua vida que é necessária e importante a sua efetiva participação nesta fase delicada da vida da (s) mulher (es) que o cerca (m). A sociedade, as religiões e as escolas devem e deveriam informar e instruir o homem e a mulher, nos mais diferentes níveis de formação e idade, como proceder e se comportar em relação à natureza feminina, suas peculiaridades e como estas influenciam na felicidade da mulher, do próprio homem e da sociedade como um todo, visando evitar o fim de muitos relacionamentos e matrimônios.

O homem como pai, namorado, irmão ou amigo deve ajudar a melhorar a qualidade de vida da mulher que vivencia a fase da menopausa. Somente com diálogo, entendimento, compreensão, atenção, carinho e paciência, a figura masculina poderá agir pelo comportamento e atitude, de modo a ajudar a mulher a vencer mais uma etapa turbulenta de sua vida.

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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