Ser mulher não significa que sou inferior, nunca!

mulher

Partindo-se da premissa que Deus criou o homem e depois fez cair sobre Adão um sono pesado, para retirar-lhe uma de suas costelas, é lícito afirmar que o homem surgiu antes da mulher. Da referida costela, Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. Seguindo uma linha de raciocínio – a qual não estou afirmando ser a certa, de modo algum – o homem por ter sido criado antes da mulher de certa maneira lhe é superior, mais velho, e consequentemente, tem relativo domínio sobre este outro ser.

Julga-se, que desde esse momento, a mulher passou a ser vista e tratada como ser inferior, ou seja, sem a devida igualdade política, social e econômica que ela faz jus, em vista que surgiu de um dos lados do homem e não de suas costas ou sob seus pés, ou melhor, ela foi criada para andar ao lado do homem e não atrás dele – em situação secundária ou inferior.

A mulher não é ser inferior, ideologicamente nunca o foi, porém essa afirmativa não retrata a realidade histórica feminina ao longo dos tempos.

 

 

 

 

 

 

 

Existem teorias que convergem entre si para a afirmativa que a mulher é vista e tratada como ser inferior desde épocas pregressas a Jesus Cristo. Tratada rudemente como serviçal, bode expiatório da violência doméstica, e ainda na condição de objeto (prostituta) em muitas oportunidades.

A partir da década de 20, o feminismo passou a adquirir forte solidez no contexto da sociedade. A mulher deixou lentamente a sua condição de inferioridade, longe da ideal, para enveredar em sua escalada de igualdade. Passou a ocorrer a sua ascensão, embora mais lenta do que se desejava e de que deveria ser.

Com o evento da Primeira Guerra Mundial os homens foram compelidos a deixar seus cargos e funções e irem para a guerra. As mulheres da classe média e alta (mais instruídas e suscetíveis a mudanças) foram compelidas a assumir suas funções. Estas mulheres pioneiras passaram a gozar de uma liberdade de ação e poder que nunca conheceram. Elas atuaram em praticamente todos os setores da atividade social e econômica, desempenhando desde atividades pesadas nas fábricas até à gestão e direção de empresas. As rédeas de um mundo de poder passou para suas mãos delicadas no qual elas saborearam as benesses do domínio e da glória. Mas com o término do conflito e retorno dos homens ocorreu um choque de realidade.

As mulheres não quiseram retornar à dependência econômica e nem a condição inferior anteriormente estabelecida. Porém, somente a partir do século XIX o movimento feminista começou a se articular e adquirir grandeza. A mulher daquela época passou a reivindicar os mesmos direitos jurídicos dos homens (gestão do patrimônio, valorização do trabalho e direito à educação).

 

 

 

 

 

 

 

A mulher tem lutado arduamente por sua igualdade no contexto social, contudo por mais que seus esforços sejam extremados e seu número quantitativo crescente sobre a face da Terra infelizmente seus progressos não são tão significativos como ela merece na prática.

Existem exemplos verídicos que demonstram que a mulher brasileira ainda é vista e tratada como um ser inferior. No Rio Grande do Sul ainda persiste a hierarquização nas relações interpessoais. A mulher ainda é chamada de prenda, não com uma conotação carinhosa de seu marido, mas com uma velada alusão a sua condição inferior, menos nobre, serviçal.

A dificuldade de se criar políticas públicas que aliviem a carga social e funcional da mulher, livrando-a do estigma de ser inferior, bem como lhe concedendo benefícios que a dignifiquem é real, é fato devido à baixa representatividade feminina nos Poderes Executivo e Legislativo.

Em contraste com fato acima, que tem caráter amplo e nacional, a presença feminina é veemente no plano político do Rio Grande do Sul, tanto que é expressiva a ação feminina no combate à violência doméstica. Por ações efetivas da Secretaria das Mulheres do RS criou-se a Patrulha Maria da Penha, denominação alusiva à lei contra a violência doméstica focada nas mulheres.

A Patrulha Maria da Penha reduziu ao índice zero o descumprimento das medidas judiciais protetivas estipuladas. Ações policiais mais efetivas passaram a impedir que agressores (maridos, ex-maridos, namorados e ex-namorados) afastados de mulheres por medida judicial voltassem para matá-las. Sem dúvida, que estas medidas são altamente edificantes e nobres em relação à mulher, entretanto, devem ser expandidas a todo o território nacional e não a apenas iniciativas setorizadas.

Segundo estatísticas daquele Estado em torno de 75% das mulheres morrem simplesmente porque nasceram mulheres. Um fato absurdo e lamentável a mulher ser vista como um ser inferior, indefeso e viver sob tal carga e tensão social.

 

 

 

 

 

 

 

A ação consistente mais triste e lastimável neste universo feminino é que ainda existe uma parcela de mulheres ainda mais oprimida, mais sofredora que são as mulheres negras. Voltando ao cenário rio-grandense, para quem lá já viveu como eu por quase doze anos e tem um senso de observação mais voltado para as relações interpessoais poderá ver mulheres negras sendo tratadas como inferior no mercado de trabalho e na informalidade empregatícia.

Jussara (nome fictício para um caso real) é moradora de um bairro classe média alta em Porto Alegre, sendo que sua família é a única família negra da rua, fato ainda anormal nos dias de hoje. Jussara sofre continua e emocionalmente quando o carteiro lhe pergunta se a patroa não está para receber a encomenda ou quando confundem seu marido – advogado proeminente – quando em terapia com o zelador cuidando do jardim do prédio devido a sua cor e atitude.

 

 

 

 

 

 

 

No Sul do Brasil verifica-se que mulheres brancas tem rendimento duas vezes maior que as negras num claro e desumano contraste no universo feminino, deixando exposta a ferida daquela ainda vista como ser inferior.

Ainda no Sul o acesso e ascensão no mercado de trabalho são difíceis para a mulher negra. As empresas de RH criaram um perverso mecanismo de seleção no qual assinalam na ficha que o candidato é negro em vista que é proibida a referência “boa aparência” em qualquer anúncio de emprego.

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

A mulher brilhantemente não desistiu da mudança, da ascensão trabalhista, da igualdade almejada. Estudar, conquistar um diploma e depois ingressar no mercado de trabalho se tornou uma realidade para milhões de mulheres no país.

Esse “caminho de carreira” se tornou um aspecto trivial, tanto que muitas mulheres trabalham em serviços domésticos ou de manutenção predial e hospitalar durante o dia, para à noite estudarem arduamente pela conquista de um diploma do ensino superior. Estas buscam a ascensão numa carreira que lhes proporcione elevar expressivamente seu poder aquisitivo. São ações individuais como estas que demonstram que a luta das mulheres para deixarem de ser vistas e tratadas como ser inferior deve ser contínua e perseverante. A ação é individual, contudo o efeito será amplo e coletivo.

Algumas medidas importantes para a ascensão da mulher e, consequente, seu posicionamento na sociedade:

Exercite, sempre que possível, seu espírito de paciência e perseverança buscando seu crescimento cognitivo e sua independência emocional e financeira. Estes fatores terão forte e profundo reflexo em sua felicidade pessoal e de seus entes queridos (marido, filhos, parentes, etc.);

Procure manter sua autoestima elevada, seja exercitando-se fisicamente, mantendo seus cabelos sempre viçosos e bem cortados, mudando o corte de acordo com seu rosto e estilo de viver, etc;

Sempre agregar novos conhecimentos, seja em sua área de atuação, como em áreas correlatas, visando o aperfeiçoamento e crescimento interior, fato que lhe trará aumento na autoconfiança e no atributo da coragem;

Manter-se saudável fisicamente, exercitando-se diariamente ou pelo menos duas vezes por semana numa academia, a fim de realizar a manutenção do corpo, bem como da mente, aliviando-se do stress proveniente do trabalho, da vida do lar, e dos demais encargos que lhe são afetos;

Procure aprofundar seus conhecimentos no contexto da relação intrapessoal e da relação interpessoal, para que conheça a si mesma e saiba com clareza suas possibilidades e limitações no amor, no trabalho, no sexo, na convivência a dois e em família.

 

 

 

 

 

 

 

Não desista de crescer, de buscar sua independência emocional e financeira. Não se comprometa com a dor, seja emocional ou física decorrente da violência doméstica, caso a sofra.

Não permita que um homem lhe faça de saco de pancadas devido ao consumo frequente de álcool ou drogas ilícitas ou por desequilíbrio emocional. Não permita que o agressor pratique a agressão emocional que lhe deixará marcas não visíveis em seu corpo, mas em sua mente e alma por toda a sua vida.

Não viva numa casa onde aquele que devia amá-la e respeitá-la é quem a agride e a faz sofrer e a seus filhos. Busque seu espaço, sua liberdade de escolha e sua realização pessoal e profissional.

O livre-arbítrio (direito de ir e vir e escolher) lhe é concedido desde o nascimento e com esta condição você pode escolher ser uma pessoa feliz e realizada. Ser feliz é uma opção de escolha que depende somente de você.

Seja uma mulher com “M” maiúsculo, de maior, de independente e capaz emocional e financeiramente. Abandone de uma vez por todas o estigma de ser inferior. Lute por seus direitos.

 

 

 

 

 

 

 

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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