Saiba a real importância do namoro no contexto da felicidade

namoro

Learn the real importance of dating in the context of happiness

O relacionamento entre as pessoas sempre se inicia com a pura e simples amizade. Esse ato singelo se constitui na essência do relacionamento interpessoal, que é a relação que se estabelece entre duas ou mais pessoas. Esse tipo de relacionamento abrange o âmbito amoroso, familiar, social e profissional. Relacionamo-nos com outra (s) pessoa (s) porque o homem em sua natureza tem o instinto de viver em grupo, em comunidade, de estar em sociedade.

A amizade que se iniciou com a apresentação das partes pode perfeitamente elevar-se para o plano amoroso. O que era inicialmente apenas amizade, devido o aumentar do convívio e a descoberta de afinidades, bem como o despertar de interesses, pode fazer surgir o desejo de aprofundar ainda mais os laços de amizade. Nesse instante, surge a intenção das partes de namorar. Mas o que significa realmente namorar, numa época em que se fala muito em “ficar”?

Namoro significa a relação afetiva e amorosa que se estabelece entre duas pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas e partilharem novas experiências, além daquelas já vividas no nível de amizade e relacionamento interpessoal. É uma relação em que o casal se compromete pessoal e socialmente sem, no entanto, estabelecer um vínculo matrimonial perante a lei civil ou religiosa.

Quando desejamos ter algo a mais com uma pessoa além da amizade, ou seja, namorar essa pessoa, em verdade procuramos inspirá-la ao amor. Desejamos que ela se sinta atraída não somente fisicamente por nós, mas que se desperte seu interesse por aquilo que somos e não tão somente o que temos. O namoro começa com o cortejar, que a demonstração de interesse afetivo, sentimental pelo outro. Esse interesse é manifestado através de olhares, sorrisos, palavras e gestos, sendo culminado com o primeiro beijo.

Esse simples tocar de lábios e bocas deflagra a efervescência das emoções e sentimentos. Seguem-se carinhos e carícias, demonstrações do desejo de amar e ser amado.

Embora hoje em dia o namoro seja liberal e a relação seja mais aberta, menos hermética, ele não objetiva mais o casamento como em décadas anteriores. Numa relação tradicional, o namoro é a fase do relacionamento que antecede o noivado e o casamento. O casal partilha afinidades, interesses, preferências, conhecimentos, de maneira a aprofundar e fortalecer a confiança e a cumplicidade mútuas. Experimentam relações mais íntimas, de natureza emocional e/ou sexual, que se destinam a decidir se realmente firmarão um compromisso mais sério futuramente.

Antigamente, o namoro expressava claramente o compromisso entre duas pessoas. Havia um “termo implícito” de fidelidade (neste caso não ter envolvimento íntimo com outra pessoa que não aquela que se namorava) e lealdade de um para com o outro. Isso ocorria sem qualquer tipo de intimidade. O fato de não se ter intimidade não tornava o namoro insosso como muitos afirmam levianamente, mas sim criava mais ansiedade por um lado e por outro comprometimento real entre as partes. Lembremo-nos daquele pensamento: “Coisas boas são difíceis de ter”.

O namoro é uma forma de convivência, onde duas pessoas que se gostam passam bastante tempo juntas buscando o conhecimento e a compreensão mútuos de suas personalidades. Não existe idade certa para começar a namorar, porque as pessoas são diferentes umas das outras e cada uma sente o momento certo para iniciar esta experiência em qualquer fase de sua vida.

O namoro é uma fase de descobertas, descobertas do mundo interior do outro, suas qualidades, virtudes, erros e defeitos. Ele é o conhecer mais profundo do outro, para que nesse conhecer se desenvolva e se aperfeiçoe o sentimento do amor.

Na atualidade o namoro adquiriu uma nova configuração que, infelizmente, passou a comprometer o âmbito dos relacionamentos e mais especificamente o instituto do casamento. Atualmente ele é denominado de “ficar”, terminologia usada tanto pelas gerações mais jovens como por parte das mais velhas. É uma modalidade de namoro na qual ocorre o rápido envolvimento (beijos roubados; carícias íntimas em público, em “baladas”; apresentação precoce da cama de um ao outro, ou seja, sexo rápido, sem dificuldades, etc.) e posterior perda parcial ou total de vínculo.

Um conhece o outro, seja numa balada ou festa e logo estão se beijando ardentemente, agarrando, se acariciando intimamente, sem qualquer pudor ou restrição, praticando o sexo muitas vezes desprotegido e com vários parceiros. Parece incrível, mas isso ocorre apenas numa noite, e às vezes mais de uma vez! No dia seguinte, “desaparecem como fumaça”, e caso se encontrem, desconhecem completamente um ao outro.

Fazer sexo ou transar é uma decisão que impinge maturidade e responsabilidade, em vista que é notório que de um relacionamento sexual pode advir crianças, que necessitarão de pai e mãe para cuidá-las. Percebe-se que o “ficar” não é uma inovação do namoro tradicional, mas sim sua total e completa distorção e degradação.

O sexo é o fim da vertente do relacionamento entre duas pessoas que se amam, que desejam trocar carícias íntimas e afetos mais veementes. Duas pessoas racionais, amadurecidas e livres, para dignificar o relacionamento intenso que é o amor verdadeiro devem estar totalmente comprometidas uma com a outra, compromisso que para ser verdadeiro tem que ser definitivo, não se falando em naturezas temporárias. Não se pode e nem se deve idealizar um amor verdadeiro sem o devido compromisso.

Mas por que não aceitar o “ficar” como um novo namoro? O “ficar” não pode ser considerado um novo namoro porque foge totalmente aos princípios de respeito, dignidade e compromisso com o próximo. Fomos racionalmente criados para amar e se amados. “Ficar” é um ato desrespeitoso, abusivo, egoísta e insensível de um indivíduo para com o outro.

Em função de qualificarmos as pessoas por padrões pré-fixados, seja pela mídia, por modismos ou status, buscamos apenas e tão somente o seu exterior, menosprezando a grata oportunidade de aprender a amar e ser amado.

Devemos amar em plenitude, e amar em plenitude não significa “mergulhar” numa roda-gigante sexual, menosprezando os sentimentos e as emoções dos outros. Não devemos desperdiçar a oportunidade de aprender a amar, de amar o outro por suas virtudes, defeitos, acertos, erros e por sua capacidade de compreender e perdoar.

Amar alguém por “sua capacidade de compreender e perdoar” significa amar alguém pelo quanto mais ela pode compreender e perdoar a você por seus defeitos e erros, em vista que ela reconhece em si mesma a existência inegável de defeitos e erros.

O “ficar” é a clara e inequívoca declaração de um indivíduo para o outro que ele simplesmente objetiva usar seu corpo e tudo que puder de sua natureza, sem qualquer compromisso ou responsabilidade com seus sentimentos e emoções.

O namoro tradicional não é uma receita de bolo, mas é uma forma segura e comprovada de buscar o aprendizado do amor de uma maneira séria, racional, amadurecida e respeitosa. Casamentos antigos que duraram décadas e findam com o óbito do casal atestam que o namoro tradicional ainda se constitui na melhor forma de se chegar ao maná da felicidade.

Iniciar um relacionamento pelo “ficar”, que pode se transformar numa relação forte e chegar ao casamento nos leva a algumas considerações relevantes. É como se fossemos fazer uma refeição e iniciássemos pelo cafezinho, depois a sobremesa e por fim a refeição propriamente dita. Sabemos que a ordem cronológica normal já existe por fundamentos científicos e não por mera casualidade.

O amor não nasce do sexo, mas o sexo é um efeito do amor. Fazemos sexo não por egoísmo ou para saciar tensões tão somente, mas porque amamos a outra pessoa e ter contato íntimo com ela nos traz prazer e satisfação, bem como a ela.

Então porque namorar sem sexo? Namorar sem sexo é uma forma segura de proteger o sentimento do amor. O namoro sem sexo não é uma “caretice”. É uma demonstração de amor e respeito, em profundidade, ao parceiro. O amor deve nascer do reconhecimento e da descoberta de quão grande é o sentimento de afeto, de carinho e comprometimento que se estabelece entre as partes.

Namorar sem sexo provoca o despertar da admiração de um pelas qualidades e virtudes do outro. Esse despertar por si só gera a necessidade no casal de estar juntos todos os dias, de partilhar e viver juntos, em inteira e ampla interação amorosa. Ele vai eliminando as arestas comportamentais e ideológicas que poderiam surgir e comprometer sua harmonia e saúde no âmbito do futuro casamento.

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Despertado o interesse em namorar, o casal deve buscar o namoro inicialmente, pelo maior tempo que puder, sem relações sexuais, visando o nascer do amor verdadeiro, cujo lastro será fundamentado na admiração de um pelo outro, admiração baseada nas qualidades e virtudes individuais.

Muitos irão alegar que o namoro sem sexo não é possível, que ele não existe, entretanto, existe particularmente em algumas igrejas evangélicas o denominado namoro de corte (ô) ou namoro santo, um namoro sem sexo, focado no nascer do amor verdadeiro.

O namoro de corte ou santo se constitui numa modalidade de namoro ou relacionamento no qual o casal assume o compromisso de namorar com restrições, ou seja, namorar segundo os padrões cristãos da Igreja e da Palavra de Deus. As restrições são: não tocar no corpo do outro em hipótese alguma e nem sob qualquer pretexto, apenas nas mãos; não se beijar em público; não ter relações sexuais; não usar roupas provocantes ou sensuais no período a fim de evitar a tentação ou desejo sexual; e assumirem o compromisso pleno de fidelidade e lealdade.

Essas imposições visam purificar e depurar o relacionamento do casal e fazer surgir o amor verdadeiro, um amor fundamentado no conhecimento interior e na constatação de qualidades e virtudes das partes.

Sendo namoro tradicional, de corte ou santo, deve-se estimular aqueles que desejam realmente vivenciar o amor verdadeiro a realizar um namoro baseado na admiração das virtudes e qualidades de cada um, visando futuramente a ocorrência do casamento e o atingimento da felicidade plena.

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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