Raízes e âncoras em sua vida: É primordial saber suas diferenças

raízes

Raízes e âncoras. Em termos de simbologia são naturezas diferentes, porém seus contrastes são importantes quando as observamos no contexto da natureza humana, das grandezas que estruturam e fundamentam a personalidade do homem.

Raízes, na flora, são partes fundamentais de uma planta que crescem, aprofundam-se e fixam-na ao solo, dando-lhe a sustentação necessária para o seu crescimento vertical. Elas atuam de forma imprescindível na absorção de água e sais minerais, que são denominadas de seiva bruta e que possibilita a planta crescer e viver. É sua função também reservar nutrientes.

A âncora é um objeto de metal usado em embarcações, de médio e grande porte, cuja finalidade precípua é fixar-se no fundo do mar ou oceano e impedir que a embarcação se movimente, que ela saia de onde se encontra por efeito das ondas e do vento. A âncora é também empregada durante tempestades, como o último refúgio, ou seja a esperança pelos tripulantes da embarcação.

Assim definimos ambas as terminologias segundo suas acepções práticas, porém vejamos o que elas representam e significam no contexto da personalidade humana.

A personalidade de um indivíduo é estruturada e formada ao longo de sua vida. Temos a fase da infância, adolescência, fase adulta e velhice. Em todas as fases, sem exceção, podemos observar que as estruturas psicológicas e emocionais que fundamentam a personalidade vão, progressivamente, se formando e se aglutinando. Algumas estruturas se formam de maneira estável, permanente, enquanto outras se modificam, alteram sua constituição inicial ao longo do tempo, em função de novos valores que são agregados e que, por suas grandezas e influências, conseguem alterar as anteriormente instaladas.

Essas estruturas são basicamente as características que definem a personalidade do indivíduo, ou seja, como ele é, como pensa, fala e se comporta. Por exemplo:

– O fato do indivíduo desde a infância ser obstinado em seus pensamentos e não ceder a ideias novas, a novos conceitos, buscando a individualidade e o sucesso individual;

– De ser resiliente, perseverante, quando tiver certeza no sucesso de um projeto pessoal ou da empresa em que trabalha;

– De agir com empatia ou altruísmo quando observar alguém em dificuldades emocionais ou psicológicas, em tristeza, depressão, pranto;

– Viver constantemente melancólico ou desanimado por ter seus pensamentos atrelados a fatos de seu passado, fatos negativos, como a morte de um ente querido ou um acidente automobilístico que deixou uma sequela  física ou emocional em seu corpo ou mente (que é complicação mais ou menos tardia de uma doença ou acidente);

– Por não ter conseguido superar as agressões emocionais ou físicas causadas por algum tipo de preconceito ou violência.

As estruturas psicológicas que se formam ou são alteradas ao longo do tempo por valores que se agregam e apresentam um caráter positivo, evolutivo e engrandecedor, nós podemos chamar de “raízes”. As raízes têm como finalidade fixar (ser a base) e delinear as características da personalidade de uma pessoa, definindo se ela é regularmente alegre, versátil, organizada, criativa, dinâmica, empática, perseverante, carinhosa, compreensiva, íntegra, altruísta, tem autoestima, autoconfiança, etc.

Raízes são os princípios robustos que fixam as características ou qualidades que definem o caráter do indivíduo, evidenciando se sua índole é positiva ou não, se seu temperamento é sereno ou não, se seu espírito é de cooperação ou discórdia, se seu coração oferta suas possibilidades em prol do resgate ou ajuda de um menos favorecido ou não. Raízes alimentam a vida da mente mantendo-a produtiva, capaz, com bom rendimento e saudável.

Raízes são os fundamentos que demonstram firmeza, força, tranquilidade, esperança e fidelidade a valores que trazem, em tese, benefícios à vida do indivíduo e a continuidade dela. Dessa maneira, elas representam a parte estável do nosso ser, ou seja, aquela que, em meio às tempestades, é capaz de manter sua estabilidade e controle psicológico e emocional.


Outras estruturas psicológicas podem ser formadas e também alteradas ao longo do tempo por valores que se agregam, mas estas quando apresentam um caráter negativo, provocam a involução do indivíduo, na não realização de projetos e metas, causam um declínio em sua qualidade de vida, degradam e arruínam sua felicidade. Estas estruturas nós podemos chamá-las de “âncoras”. As âncoras não têm a finalidade de fixar, de ser a base da personalidade do indivíduo. Pelo contrário, elas causam efeitos e danos significativos em sua vida como tristeza, melancolia, conflitos, insatisfação, dores, fracassos e infelicidade.

Âncoras causam atraso na evolução e na vida de uma pessoa. Elas se constituem em barreiras às vitórias, às motivações, aos projetos, à felicidade. Regularmente criam e desenvolvem conflitos internos na mente do indivíduo capazes de subtrair-lhe a estabilidade, de modo que não haja saúde mental, impedindo assim a produtividade e, consequentemente, a evolução e o alcance de sua felicidade. Âncoras podem ser efeitos de traumas emocionais, perdas de entes queridos, perda de valores materiais relevantes para o indivíduo, bulliyng, preconceito racial, etc.


Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Com os conceitos devidamente esclarecidos e denominados, podemos focar em maneiras como essas estruturas identificadas como raízes e âncoras podem ser empregadas a nosso favor ou simplesmente como minimizá-las, a fim de nos permitir alcançar a felicidade que todos desejamos.

Procure analisar a si mesmo. Procure identificar suas características pessoais, suas qualidades e seus defeitos. Se tiver dificuldade, escreva. Escrever é muito bom quando vamos trabalhar algo que está dentro de nós mesmos, facilita observarmos e raciocinarmos sobre o que temos a analisar.

Depois tente identificar o que é raiz e o que é âncora em sua personalidade e em sua vida. O que traz reais benefícios e que pode ser aperfeiçoado, o que pode ter melhorias, e o que se constitui em fatores negativos que provocam sua insatisfação, fracassos, derrotas, repetidos momentos de tristeza, melancolia ou depressão.

Após essa identificação, parta para a ação principal: comece a tentar mudar essas âncoras, a retirá-las ou minimizá-las em sua personalidade e vida. É preciso muita paciência e determinação para mudar algo que esta dentro de você e que pode estar aí há muito tempo, porém nada é impossível quando se tem vontade e fé.

Uma estratégia é mentalizar e repetir, para si mesmo, qual a mudança que se deseja, por várias vezes durante o dia, desde o momento que acordar até a hora de dormir. Procure sintetizá-la numa frase, o que facilita a memorização e fixação. Nossa mente tem uma forte tendência a fixar mensagens e pensamentos que a ela são apresentados por repetidas vezes. Essa técnica já funcionou comigo, ainda funciona e não necessitei de ajuda externa.

Outra solução é encontrar pessoas que tenham passado por experiência semelhante e conversar com elas, saber como administraram a eliminação ou redução dessa (s) âncora (s). Mas você pode dizer que tenta, mas não consegue, então procure ajuda de um psicólogo ou terapeuta, ele poderá te ajudar nessa empreitada que não é fácil. Mas também não se deixe enganar, não fique eternamente indo ao especialista e nada de ocorrerem melhoras. Se ele não solucionar num determinado tempo, procure por outro. Mas não desista de si mesmo, de sua felicidade.

Existe um pensamento ou ditado que diz: “Deus ajuda os bem-intencionados…”. Na própria Bíblia Sagrada também se afirma: “Esforça-te, tenha ânimo, que eu (Deus) te ajudarei…”. Então tente mudar, retirar, acabar ou minimizar as âncoras que identificou, não se permita ficar na infelicidade, no fundo do fracasso.

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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