Suicídio: Previna-se contra o assassino silencioso

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Suicídio é e sempre foi um tabu social. Ninguém gosta ou deseja falar sobre o assunto suicídio. Quando se fala logo se relaciona mentalmente o fato ou assunto à depressão, à doença mental ou à morte, naturezas que nos são desagradáveis de abordar.

E por que não se evita falar em suicídio? Definitivamente, ninguém quer ou evita falar em suicídio porque ele se constitui numa forma de assassinato. Assassinato cometido contra e pela própria pessoa e não por outro indivíduo.

É um ato cruel, praticado por deliberação insensata, leviana e considerado como último recurso – por seu autor – a ser usado para acabar com uma dor imensurável que dominou sua vida, inundando-a de tristeza, amargura e sofrimento ininterrupto.

Quais são os dados estatísticos do suicídio? O suicídio pode ser considerado fato alarmante para o contexto da sociedade? Por que motivo uma pessoa comete esse crime contra si mesmo? O que a leva a acreditar que sua morte precoce vai resolver seu (s) problema (s)?

Vamos saber algumas das respostas a essas perguntas e conhecer um pouco sobre esse assunto que não deve ser evitado.

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O Suicídio como Efeito Final de Fatores Contribuintes

O ser humano em sua natureza psíquica nasce com a tendência a viver, a sobreviver às intempéries do meio ambiente, bem como as “tempestades” psicológicas que sua prodigiosa mente lhe impõe. Essa característica é inerente a todo ser humano, porém e infelizmente vigora sua fragilidade na própria complexidade da mente humana.

Somos frágeis mentalmente pela ação vigorosa de fatores internos e externos, que interagem entre si, causando abalos e mudanças em nosso comportamento. O suicídio é o efeito final de alguns desses diferentes fatores contribuintes.

O ato precoce de extinguir a própria vida como fato ocorrido é uma evidência que o indivíduo entrou em colapso mental e pessoal por decorrência da deterioração do contexto social em que vivia. A consecução desse ato danoso normalmente ocorre em períodos de crise pessoal, associados a perturbações nas relações pessoais estabelecidas.

Em síntese, quando vivenciamos uma crise interna por algum problema mental, físico, financeiro ou de outra natureza associada a um desequilíbrio em nossos relacionamentos pessoais, ficamos vulneráveis à prática do suicídio em função da grandeza da referida crise e de sua associação. Essa fragilidade se expressa no uso abusivo de álcool, drogas, no desemprego, na depressão e em outras formas de doença mental.

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O suicídio também pode ser visto como uma prática resultante de uma longa e forte relação entre a insatisfação de vida com um viés de comportamento autodestrutivo. Sob esta ótica, fatores econômicos, políticos e culturais influenciam o ânimo do indivíduo a autodestruição.

Um dado relevante é que além das crises econômicas influenciarem e deteriorarem a satisfação de vida também promovem a ocorrência de suicídios e tentativas de suicídio, elevando o número de casos mais entre homens do que entre mulheres.

Um exemplo típico de grave influência no número de suicídios e tentativas de suicídios por parte de crises econômicas foi a crise do euro, ocorrida em países europeus.

Historicamente, segundo pesquisas, a variação da taxa de suicídio em ambos os sexos segue a mesma tendência de alta, porém a variação no segmento masculino é maior do que no feminino. Isso significa que os homens são mais suscetíveis à realização de essa ação mórbida do que as mulheres.

Existem razões potenciais para diferentes taxas de suicídio entre homens e mulheres que devemos observar:

– Questões de igualdade de gênero (preconceitos e discriminações);

– Preferência e disponibilidade de diferentes meios de suicídio;

– Disponibilidade e padrões de consumo de álcool e drogas ilícitas;

– Diferenças nos métodos socialmente aceitáveis de lidar com estresse e conflito para homens e mulheres; e

– As diferenças nas taxas de procura para tratamentos de transtornos mentais entre homens e mulheres.

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Pesquisas também observam os meios empregados no suicídio, que varia em função da cultura e disponibilidade. Nesse sentido, no Brasil temos como local escolhido para cenário da desgraça a própria casa do suicida (51%) e em segundo lugar os hospitais (26%). Embora não se tenha dados consistentes, o local de trabalho também é considerado um relevante lugar escolhido para o cometimento do suicídio.

Pesquisas constatam que em relação aos principais meios utilizados podemos considerar os seguintes:

– Enforcamento (47%);

– Armas de fogo (19%);

– Envenenamento por pesticidas (14%).

Ainda analisando este aspecto observa-se que entre os homens predomina o enforcamento (58%), armas de fogo (17%) e envenenamento por pesticidas (5%). Entre as mulheres, os meios preferidos são enforcamento (49%), seguido de fumaça/fogo (9%), precipitação de altura (6%), arma de fogo (6%) e envenenamento por pesticidas (5%).

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Anatomia do Suicídio

O suicídio é uma tragédia causada por ação do próprio indivíduo, por sua falta de discernimento e compreensão do ato violento que está cometendo. Cientificamente, é um fenômeno complexo e multifatorial que exige muita atenção da sociedade e das autoridades.

Como ato solitário é visto como uma desgraça pessoal e social na qual se manifesta a drástica queda na qualidade de vida e satisfação com a mesma pelo indivíduo. Sua influência é tão poderosa que se estima que, a cada suicídio, outras seis pessoas são impactadas emocional e economicamente.

Cometer suicídio denota que o indivíduo é ou tornou-se vulnerável ao ponto de praticar ato cruel contra si mesmo. Tornou-se frágil aos fatores contribuintes possivelmente pelo abandono familiar e social que passou a vivenciar.

A solidão em si não provoca a prática do suicídio. Ela é apenas um estado no qual o indivíduo encontra condições que lhe são favoráveis a praticá-lo. Antes da solidão ingressa-se numa crescente espiral de ansiedade em relação a um ou mais fatos e/ou acontecimentos relevantes no contexto de vida do indivíduo. Esse (s) fato (s) pode (m) ser:

– Uma separação matrimonial;

– Uma traição amorosa;

– A perda do emprego, por questões de corte orçamentário ou crise econômica do país;

– Assédio sexual no ambiente de trabalho;

– Excesso de trabalho ou alcance desejado em avalição individual de desempenho; etc.

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A natureza destes fatos causa um forte e crescente desequilíbrio psicológico num indivíduo. Ele passa a vivenciar uma dor emocional inexplicável, asfixiante e intermitente que lhe causa um estado inicial de tristeza. Quando se vivencia uma dor tende-se ao isolamento, à solidão, por intimamente considerar-se um ato de fraqueza ficar triste diante dos outros, de demonstrar aos outras que não se consegue administrar um problema. Ninguém quer demonstrar que é uma pessoa fraca diante de problemas que todos enfrentam e “demonstram” ser fortes.

Essa tristeza inicial leva o indivíduo a uma crescente melancolia, que se amplia e se aprofunda. Por vergonha e medo ele passa a mascarar seu estado doloroso e depressivo para todos que o cercam, mesmo para aqueles que lhe são próximos e não lhe são solidários  na dor, por submissão à premência imposta pela vida contemporânea.

Temos que nos preocupar em ganhar dinheiro, ter bom desempenho no trabalho, satisfazer sexualmente nosso cônjuge, amante ou namorado, pagar todas as contas do mês e tantos outros compromissos que pouco tempo nos sobra para darmos atenção ao próximo, fato que nos isola e também leva à solidão ao próximo. Essa é a face original da premência imposta pela vida contemporânea.

A conjuntura nos torna vítimas da urgência criada pela vida contemporânea. Daí abrir-se facilmente uma porta para o cômodo negro da depressão, e poucos conseguirem não aceitar o convite irresistível de entrar e se “acomodar” na dor que manieta sentidos e discernimento. Quando o indivíduo cede, escolha a opção do assassino silencioso.

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Por que Jovens são mais suscetíveis ao Suicídio?

Por que jovens, que são seres humanos com toda uma vida pela frente, deliberam pelo suicídio, quando ele se constitui no fim de tudo?

Ninguém quando jovem quer morrer prematuramente. O suicídio é uma opção para quem não tem mais esperanças, para quem perdeu a em si mesmo de conseguir resolver um problema que só cresce dentro de sua consciência.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda principal causa de morte no mundo entre pessoas de 15 a 29 anos de idade. Pesquisas revelam que 90% dos adolescentes que cometem o suicídio tem algum problema como ansiedade elevada, depressão, são vítimas de agressão doméstica ou envolveram-se com álcool e drogas. Mas estes não são os únicos e nem os mais relevantes fatores a considerar.

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A criança quando entra na adolescência depara-se com ritos de passagem que inevitavelmente desequilibram sua harmonia mental e que podem comprometer sua integridade física. Observe alguns deles:

– A expectativa de um bom desempenho no relacionamento sexual que se inicia;

– Aceitação dos “defeitos físicos” que apresenta numa sociedade onde a aparência e a beleza física são aspectos maxivalorizados;

– A crescente baixa autoestima devido a diferenças socioeconômicas;

– Falta de esperança na melhora da qualidade de vida e reduzida expectativa de um futuro promissor;

– Crescente opressão e insatisfação com vida devido ao bullying que enfrenta na escola e/ou nos grupos em que está inserido;

– Possíveis e recorrentes crises depressivas em decorrência da não aceitação pela família e sociedade de sua identidade sexual (homoafetividade).

Podemos afirmar que resistir a essas “tempestades” emocionais e psicológicas e sair ileso é tarefa praticamente hercúlea. É uma situação que exige resiliência, ou seja, ter a capacidade de se recuperar mais facilmente a mudanças emocionais e sociais e resistir em boas condições à má sorte ou dificuldades que surgirem.

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Benefícios que Este Conteúdo Pode Proporcionar ao Leitor

Deve ocorrer a quebra do tabu de que o suicídio não deve ser tratado aberta e amplamente na família, na escola e nos ambientes de trabalho. O suicídio é o assassino silencioso que acomete os mais fracos psicologicamente, os menos assistidos por seus familiares, amigos e colegas de trabalho.

É necessário a observação e o apoio àqueles que mudam de comportamento em casa, na escola ou ambiente de trabalho. O isolamento, a solidão, o afastamento momentâneo do convívio salutar com outras pessoas são indicativos de que algo pode estar fora do controle do indivíduo e que ele vive um problema que não está conseguindo administrar por si só. Atenção, compreensão, carinho, manifestações de apoio são ações fundamentais para evitar a consecução do suicídio nesse momento tormentoso.

O depressivo ou melancólico necessita ser ouvido, necessita desabafar e se isso não ocorrer é como se fossemos enchendo um copo em que não há ponto de vazão, até que ele transborda: o suicídio.

Muitas vezes o insucesso de uma pessoa, seja jovem ou adulta, decorre da excessiva exigência que está sofrendo. Isso pode gerar uma insatisfação com a vida, levando-a a perder seu colorido e beleza. O indivíduo passa a ver tudo monocromático e o cadafalso se torna sua melhor opção.

Promova a atenção, o carinho, o diálogo, a redução das críticas e das cobranças. 

Suicídio Previna-se contra o Assassino Silencioso H

Limite o acesso ao que pode promover o suicídio como armas de fogo, consumo exagerado de álcool, drogas ilícitas, medicamentos, depressão (total isolamento), bullying, etc.

Uma breve, mas atenciosa conversa com seu filho, sobrinho, colega de trabalho ou o próximo que clama silenciosamente por ajuda, pode salvar uma vida.

E toda vida é relevante.

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Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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