Transgênera: Conheça essa nova população que está entre nós

transgênera

Trans, transgênera, transgenerismo, transgênero. São termos que ultimamente temos ouvido com relativa frequência e a grande maioria pouco sabe a respeito. Seria uma nova moda? Um novo estilo de vida? Um novo tipo de dieta vegetariana? Ora, você deve estar achando que sou um idiota escrevendo isso, porém tem muitas pessoas – eu inclusive anteriormente – que não sabem do que se tratava o assunto em tela. Bom, vamos falar um pouco sobre ele…

Em primeiro lugar, a terminologia trans, transgênero, não se refere a nenhuma daquelas perguntas que apresentei na introdução do artigo. Ela não é nenhuma nova moda, estilo de vida, e muito menos dieta vegetariana.

Além da população comum que encontramos em nossa sociedade contemporânea constituída do gênero masculino e feminino, temos atualmente uma população designada como transgênera ou simplesmente trans. Chamamos de população por que é um volume considerável de pessoas que está surgindo nessa condição, e elas têm significativa relevância no contexto social, político e econômico de nossa sociedade.

Mas afinal o que é uma pessoa trans ou transgênera? Existem várias definições, contudo aquela mais simples e de maior entendimento seria que: Transgênera se constitui na maneira como uma pessoa se identifica e se reconhece, ou seja, é o homem que se vê como mulher, pensa como mulher, mas o corpo não combina com sua identidade e vice-versa. Simplificando, transgênero é o sexo cerebral do indivíduo, sendo que este nem sempre é confirmado pelo corpo que se possui.

É relevante compreender que o sexo está intimamente ligado ao órgão genital, pênis ou vagina. O gênero é a postura, o comportamento e a atitude do indivíduo perante a sociedade que lhe impõe a manifestação de tais fatores.

É comum as pessoas considerarem e confundirem transgêneros com homossexuais. É um erro consistente em vista que homossexualidade, heterossexualidade e bissexualidade estão relacionadas à sexualidade, como é concretizado e vivenciado o desejo sexual.

É importante salientar que a orientação sexual está condicionada ao desejo sexual. O indivíduo pode ter nascido com o corpo de homem, sentir-se uma mulher e ter desejo sexual por uma mulher, ou seja, o transexual pode ser heterossexual ou homossexual.

O trans ou transgênero pode ser também visto como a transição de um indivíduo de um gênero para o outro na busca de sua definição mental.

A problemática que envolve a população transgênera não se resume ao preconceito, mas também a difícil aceitação pela grande maioria da sociedade de um gênero que foge aos estereótipos de homem e mulher. Ela se constitui num amplo grupo do universo social que não é aceito, é desconhecido, e incompreendido em suas necessidades básicas e fundamentais.

Em 2011 foi feito um Levantamento da Discriminação Transgênero e 46% dos entrevistados revelaram que não se sentem confortáveis em procurar ajuda da polícia devido ao preconceito e indiferença.

A população transgênera é diversificada e se compõe de indivíduos com curso superior, independentes financeiramente, pagadores de seus impostos e que atuam na esfera política, então porque são considerados “inferiores” “menores”?

Outro estudo constatou que os transgêneros são 3,32 vezes mais propensos a vivenciar a violência policial dos que os não-transgêneros ou cisgenêros.

São termos pouco conhecidos na língua portuguesa e muito menos ainda no mar de informações que somos bombardeados no dia-a-dia. Entretanto, possivelmente vivemos não distante de uma pessoa transgênera e não saibamos.

Percebe-se que o Estado por não proteger essa comunidade expressiva da sociedade autoriza a ruptura dos direitos humanos básicos senão universais, fomentando o preconceito, o desconforto e a falta de confiança na máquina pública por esta comunidade tão importante.

Outra falha grave do Estado é sua passividade em relação à inserção social desta comunidade transgênera. Ele deveria fomentar uma política de mentalidade ampla e profunda em vista que essa comunidade tende a crescer e se tornar mais densa e expressiva no contexto social como as demais comunidades inseridas no conceito de LGBT.

A falta de informação e inserção social é grande. Por exemplo, médicos, enfermeiros e funcionários da área de saúde não sabem lidar com os transgêneros, com suas necessidades emocionais e psicológicas quando enfermos ou simplesmente na realização de exames de rotina.

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

Torna-se relevante que todos da estratificação social tenham conhecimento do que é e da existência da população trans ou transgênera, de suas necessidades emocionais, psicológicas e de saúde, bem como de sua inserção social.

O Estado não deve e não pode se omitir em suas obrigações de proteger a população transgênera, além de esclarecer medidas que a auxiliem a vencer dificuldades de inserção. Cabe também ao Estado e, principalmente, esclarecer e orientar o restante da sociedade em relação a existência da população transgênera.

Pense que sendo você um cidadão deve saber e conhecer as peculiaridades da população transgênera para não incorrer em preconceito, discriminação ou injustiça com pessoas que são essencialmente iguais a você no sentido de exercer seus direitos e ter suas necessidades atendidas junto ao Estado e a sociedade.

É importante que conheçamos essa nova população para compreender quem são essas pessoas que temos que também amar e saber conviver. E conviver significa respeitar, ouvir suas necessidades, devotar-lhe atenção, carinho e amor ao próximo. Eles são seres humanos e não monstros, como muitos pensam e querem extirpar da sociedade. São pessoas como qualquer um de nós. Necessitam tremendamente de amor, de compreensão em relação as suas carências, sentimentos e emoções. Segregá-los é ato cruel e desumano. Jesus Cristo se fez homem e comeu e bebeu com a chamada escória da sociedade de sua época. Porque ele fez isso? Para nos ensinar que o amor deve ser dado a todos, indistintamente, principalmente àqueles que são discriminados e isolados dos demais.

Se você conhecer um trans ou transgênero trate-o com amor e respeito. Ele poderia e pode ser seu filho, sobrinho, neto, amigo, irmão e num futuro não muito distante ser seu pai, sua mãe ou seu avô ou avó.

Robert Thomaz

Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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