É o valor das coisas que realmente determina quem você é?

valor

Na sociedade contemporânea temos a profunda tendência a avaliar as pessoas quando as conhecemos por aquilo que elas possuem, por seus bens materiais, por suas posses. Essas grandezas que podem ser mansões, carros esportivos (de alto luxo), aviões, motocicletas, roupas, joias, e ativos financeiros nos provocam a ideia e sensação de poder em torno da referida pessoa.

Essa ideia e sensação causam na maioria das pessoas os sentimentos e respectivas emoções de admiração, inveja, atração, desejo, poder, ambição, inferioridade, ódio. Mas o que causa essa ideia e sensação? Seria o valor ou preço dos bens que a pessoa possui?

Vejamos a definição conceitual de valor e de preço, em vista que vai esclarecer qual a real causa desses sentimentos e emoções que nos são provocados.

Valor se constitui na qualidade de uma grandeza que a torna importante para uma pessoa. Seria a propriedade abstrata que torna o objeto ou grandeza em algo de significativa importância para uma pessoa e também para a sociedade na qual ela está inserida. Essa propriedade lhe concede prestígio, relevância, respeito e relativo poder sobre os demais integrantes da sociedade ou grupo a qual pertence.

Preço seria o dado numérico que quantifica o valor de um objeto ou grandeza. Seria a quantia que estabelece o valor do que se pretende vender ou comprar.

Vejamos alguns exemplos práticos de valor e preço. O valor de um carro esportivo é grande em vista da sensação de poder, de status, de prestígio, de importância que aquela pessoa que o detém possui. Coincidentemente, o preço desse carro será elevado, pois devido ao seu valor conter uma elevada importância em termos de poder, status e prestígio será fato a (s) dificuldade (s) para outras pessoas também possuírem o mesmo carro, criando assim a chamada estratificação social que consiste na disposição da sociedade em camadas ou classes. Essa estratificação irá colocar aqueles que possuem bens materiais ou ativos financeiros de maior valor nas camadas mais elevadas e em ordem decrescente os menos favorecidos ocuparão lugares mais baixos, de acordo com a valorização de seus bens.

Outro exemplo interessante de valor e preço. Uma mulher vai a um magazine e se interessa por um casaco de inverno. Ao perguntar a uma vendedora, ela se espanta com o preço do produto e sussurra: “Esse casaco é muito caro! Não vale esse preço todo!”. Podemos observar que na avaliação mental da mulher, ou seja, a ideia e sensação que se estabeleceu em sua mente é que o valor – o prestígio, o status, a admiração ou inveja que o casaco causará em suas amigas ou concorrentes – é inferior ou muito inferior a quantia que terá que pagar pela aquisição do produto. Em síntese, ela deixa de comprar o casaco porque ele não lhe proporcionará a sensação de empoderamento, de superioridade, prestígio e importância em relação às outras mulheres, bem como nelas a respectiva sensação de inferioridade, ausência de poder e prestígio.

Mas seria o valor das coisas que determina realmente quem você é? Infelizmente, essa tendência se estabeleceu de maneira profunda nos princípios de nossa sociedade contemporânea. Nossa sociedade é consumista por natureza, e essa característica conduz as pessoas a avaliarem as demais pelo valor dos bens que possuem e não pelo valor presente em seus corações, em suas personalidades. Isso faz com que a maioria intente aproximar-se de pessoas com grandes valores, para que tenham a sensação que também gozam do mesmo prestígio, empoderamento e relevâncias que elas possuem. Valores que aos olhos e corações dos demais integrantes da sociedade provocam admiração, inveja, inferioridade, ódio.

Porém, quando a relação interpessoal entre duas pessoas avança no plano do amor, ela pode tomar dois rumos distintos. Um será o do amor carnal, da atração física que focará consequentemente o(s) valor (es) que a outra pessoa possui. E o outro será do amor ao próximo, que consiste na valorização somente do que é a outra pessoa e não dos valores que ela possui. Sem dúvidas, este último é o caminho de maior importância real na vida e no relacionamento de duas pessoas. Não se deve unir-se a outra pessoa tão somente pelos valores que ela possui, pela beleza física que apresenta, pelos bens que a tornam empoderada, detentora de grande prestígio ou importância, mas sim pelo o que ela é como pessoa, pelo que ela tem em seu coração, por suas virtudes e qualidades.

Devemos buscar os valores do coração, as qualidades que ali devem existir que independentemente de bens materiais ou ativos financeiros nos farão felizes em plenitude ao viver ao lado dessa pessoa pela qual nos despertou amor, afetividade, carinho.

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

O valor das coisas que você possui não pode determinar o que você é. Seja íntegro, amoroso, carinhoso, sincero, leal, autêntico, devote-se ao relacionamento e não busque em primazia os valores que estão atrás da pessoa pelo qual você se apaixonou.

Temos também a tendência de ocultar, de esconder nossos defeitos, erros, falhas de caráter ou personalidade visando à aceitação do outro e da sociedade. Tememos a repulsa, o afastamento físico ou social que pode se estabelecer. Entretanto, mais cedo ou mais tarde a verdadeira pessoa que você é emergirá das profundezas de teu coração e de tua alma e se revelará a outra pessoa e aos outros personagens de sua história de vida.

Se fores verdadeiro, não ocultares suas falhas, fracassos, temores à pessoa pela qual se apaixonou, será mais fácil ela te aceitar, compreender que embora você tenha cometido erros, tenhas falhas em seu caráter ou personalidade, tenta e está tentando mudar visando a melhora, o aperfeiçoamento como ser humano, para ser merecedor de seu amor e companhia.

Trabalhe seu coração no sentido de aumentar seu valor pessoal. Que seja maior seu valor pessoal do que os bens que possui. Os bens matérias são importantes, é claro que são, mas não faça deles seu escudo para a conquista, para obter a admiração e o respeito de quem ama e das demais pessoas com as quais convive. Que o brilho que as atrai venha de seu coração, de sua alma.

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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