Saiba o que é viuvez oculta e como faz as mulheres sofrerem

viuvez oculta

Se você é mulher, e em função de determinadas circunstâncias, pode estar sofrendo de viuvez oculta e não sabe. É muito comum sofrermos de uma enfermidade de caráter físico ou psicológico e não termos conhecimento ou consciência que estamos doentes. Esse é normalmente o caso de mulheres que sofrem de viuvez oculta. Mas que doença é essa?

Quando se fala em viuvez logo vem à memória alguma mulher que o marido morreu, ou um homem cuja mulher morreu. Esta viuvez é a mais notória, é a mais corriqueira que se sabe, porém existe outra – pouquíssima conhecida – que causa danos psicológicos e emocionais particularmente às mulheres. É a chamada “viuvez oculta”.

Embora muito raramente ocorra com os homens, a viuvez oculta afeta mais as mulheres, semelhantemente à depressão, que também afeta predominantemente o universo feminino. Vamos contextualizar o assunto para que seja claro seu entendimento.

Uma mulher tem um relacionamento amoroso intenso e muito profundo, seja na adolescência, idade adulta ou terceira idade, e por qualquer que seja a razão esse relacionamento não perdurou, contudo não ocorreu a morte do namorado, amante ou mesmo marido. O término do relacionamento, nessa circunstância, pode gerar duas vertentes a serem escolhidas e seguidas pela mulher, mesmo que continuando a amar o homem que mantinha relacionamento, como deixar de amá-lo.

Um caminho seria o de prosseguir sua vida dentro de uma normalidade e estilo de vida, e caso tenha a oportunidade de encontrar um novo amor, que inicie um novo relacionamento. Outro seria escolher ficar sozinha, aguardando ou não, o surgimento de um novo pretendente. É nessa segunda opção que figura a viuvez oculta e que será o enfoque desse conteúdo.

 

 

 

 

 

 

 

O homem quando tem uma forte e profunda decepção em sua vida amorosa ou casamento, caso não ame verdadeiramente a mulher, não tentará restaurar a relação e procurará uma nova pretendente, iniciando um novo relacionamento. Normalmente é isso que ocorre com os homens, porém uma parcela das mulheres quando decepcionada ou traída, não age da mesma forma, não buscando a restauração da relação ou casamento. Com o fim do relacionamento amoroso, marcante e profundo segundo seus sentimentos e emoções vivenciadas, esse segmento feminino deliberadamente não procura outro homem para se relacionar, nem amorosa e nem sexualmente.

Essa deliberação estabelece um nexo causal, ou seja, uma relação de causa e efeito normalmente nociva à mulher no plano psíquico e emocional. A decepção pela perda do ente que muito amava e que se dedicava leva-a a decidir pela solidão, por ficar sozinha, focando suas energias e motivação no trabalho, em alguma atividade que se identifica e realiza, ou a uma causa que lhe absorva inteiramente seu tempo, atenção e energias, tanto emocionais como físicas.

 

 

 

 

 

 

 

A viuvez oculta se caracteriza por este estado ou situação no qual a mulher passa a conduzir sua vida a partir da escolha: de ficar sozinha, de não mais se envolver ou relacionar-se com outro homem, em vista da dor e sofrimentos que passou com o término da relação que mantinha. Conscientemente ou não, ela age assim julgando e acreditando ser o melhor caminho para si, visando não se magoar novamente e não voltar a viver momentos tormentosos em sua vida. Fugir de um problema não significa solucioná-lo, e dependendo da situação, pode-se torná-lo mais presente e ativo do antes.

Em verdade, a viuvez oculta impõe à mulher um vazio existencial que ela não tem noção de suas dimensões, alcance e efeitos na esfera de sua saúde mental. Podemos viver sozinhos, sem dúvida, entretanto, viver sozinhos com felicidade e sem qualquer pressão interna ou externa no transcurso de nossas vidas. A viuvez oculta esconde e disfarça seus espinhos emocionais, fazendo-os surgir de forma tão descaracterizada que a mulher sofre na solidão que julga supostamente ser benéfica a ela mesma.

Dormir sozinha, sentindo a sensação de solidão; perceber um vazio existencial dentro de si; trabalhar intensamente, até a exaustão; malhar intensamente, a fim de ficar extenuada; sair sozinha ou com as amigas, evitando e sendo refratária a paqueras, cantadas ou conversas descompromissadas; fechar-se em si mesma, não verbalizando suas dores e anseios, desenvolvendo um ambiente interior de opressão; acreditando que assim não sofrerá, pois está livre, desimpedida amorosamente, etc. Estes são aspectos que não definem e nem expressam a felicidade, mas caracterizam veementemente a viuvez oculta.

A viuvez oculta é uma vaziez existencial não percebida pela mulher, estado que lhe causa dor e sofrimento inconscientes, que são retroalimentados pela depressão surgida em função da solidão escolhida. Essa dor e sofrimento podem ser perfeitamente exemplificados pelo arrependimento de não ter constituído uma família e nela ter alguém (um homem, um amigo) que realmente a ame, que a ouça e ampare nos momentos difíceis, ou após o irremediável esvaziamento do ninho (saída inevitável dos filhos do lar para desenvolverem suas vidas-solo) em que passará a viver imersa na solidão profunda, não gozando de atenção, amparo e apoio de um companheiro.

 

 

 

 

 

 

 

Existe a solidão desejada e a solidão imposta. Elas diferem pelo fato da primeira ser aquela em que o indivíduo está sozinho porque assim o deseja e sente-se bem, feliz com a própria companhia, a solidão não lhe retrata um estado de dor, sofrimento ou abandono pessoal ou coletivo a si mesmo.

A segunda já expressa o estado no qual não se deseja estar sozinho, mas a situação, a conjuntura obriga-lhe a esse estado, que lhe impinge dor, sofrimento, agonia. A solidão imposta é verificada nos casos de depressão, estados depressivos, bullying. Na solidão imposta não há espaço para a felicidade, estado ausente e sempre desejado pelo indivíduo.

Uma das faces nocivas da viuvez oculta é a solidão desejada, porém ela se apresenta de maneira distorcida à mulher. Esta julga que está bem, que vive bem por estar sozinha, realizada profissionalmente e que está longe de dores e sofrimentos, contudo, em verdade, sua solidão é um cárcere psicológico e emocional criado por ela mesma, que não tem consciência de sua extensão, gravidade e danos. Sua vida se torna vazia, envolta por uma depressão velada, na qual ela vive uma dor psicológica e emocional e não admite seu sofrimento.

 

 

 

 

 

 

 

A dor explicitada no parágrafo anterior decorre da necessidade que todo ser humano tem de expressar, verbalizar seus sentimentos e emoções, dores e agonias a alguém. Essa premissa será contestada com a justificativa que essa necessidade pode ser atendida perfeitamente por um terapeuta. Sim, este profissional pode ser pago para ouvir a mulher em sessões terapêuticas e tentar ajudá-la em sua cura, contudo ele é pago por um serviço e não o faz por amor a sua paciente em viuvez oculta.

Dividir as dores, sentimentos e emoções com uma pessoa que nos ama é algo mais adequado e próprio, do que fazê-lo com um terapeuta, em vista que ele não tem relações afetivas e de amor com o seu paciente. Cabe salientar que a interação com o terapeuta finda ao término da sessão terapêutica, diferentemente da interação do homem que mantém relacionamento diuturno com a mulher afetada.

Convém ressaltar que não está em discussão a validade ou capacidade do profissional terapeuta, sendo inegável e relevante o exercício de sua profissão, mas sim a adequabilidade e conveniência da mulher superar a viuvez oculta na vivência e companhia do homem que a ama verdadeiramente.

Viver sozinho pode ser bom por um determinado tempo, quando se tem uma meta ou objetivo específico, sendo essa deliberação algo aceitável pela conveniência da situação e de seu propósito, mas não definitivamente. A mulher em viuvez oculta que consegue perceber seu enclausuramento e dele escapar significa não tão somente sua libertação de um cárcere psíquico e emocional, mas clara demonstração de autoestima e empoderamento, de reconhecer em si sua capacidade de dominar-se e dirigir seus passos em prol de uma verdadeira e saudável felicidade.

Benefícios que este assunto pode proporcionar ao leitor

A viuvez oculta pode ser superada, a partir da conscientização da mulher afetada que a solidão escolhida, em verdade, causa-lhe dor e sofrimentos velados, não claramente definidos e entendidos.

Abrir-se a novos relacionamentos, mesmo de amizade, pode ser um bom caminho para vencer a clausura psicológica e voltar a visualizar os raios luminosos e tenros do sol da felicidade. Caso haja dificuldade para escapar desse cárcere, não hesite em procurar um terapeuta ou psicólogo, profissional adequado que certamente ajudará a mulher afetada no encontro do melhor caminho a seguir.

Ser feliz se constitui numa opção e decisão exclusivamente suas, de mais ninguém.

Robert Thomaz

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Robert

Robert Thomaz é escritor, poeta, autodidata, pesquisador, blogueiro. Dedica-se ao estudo e pesquisa de assuntos relativos à qualidade de vida, relacionamento intrapessoal, relacionamento interpessoal, saúde e bem-estar.

Website: http://sentimentoseletras.com.br

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